Em tempos de grandes conquistas da ciência e da tecnologia, da cultura e das ciências sociais, o mundo anda para trás em muito do que diz respeito às pessoas, as grandes vítimas da sociedade do dinheiro e dos mercados.
Uma curta viagem pela edição de Jornalistas Sem Fronteiras ilustra-os. Sessenta e alguns anos depois do martírio e da chacina, os judeus de Odessa elaboram planos de evacuação da cidade, analisando os acontecimentos em seu redor. Prevêem que as coisas não tendam a melhorar agora que se aproxima o aniversário do Dia da Vitória sobre a Alemanha Nazi – também olhado como dia de vingança pelos herdeiros das hordas derrotadas.
E não tendem a melhorar também por outros indícios, pelo menos o facto de a NATO ter decidido tratar da propaganda do governo que colocou em Kiev. Tudo indica que entre fascistas do grupo catapultado a partir das falsas virtudes dos protestos da Praça Maidan não exista nenhum competente aprendiz d Goebbels.
Para trás anda a saúde naquela que era até agora a maior economia do mundo, antes de ser ultrapassada pela China. Há muitos exemplos da decadência do império, mas muito grave é saber-se que os índices de mortalidade materna no parto triplicaram em 25 anos nos Estados Unidos da América, trepando para níveis de terceiro mundo. Na terra imperial, onde se acolhem alguns dos mais famosos clínicos do mundo, esse índice triplica a média da União Europeia, é bastante mais elevado do que os do Irão, da China, da Rússia e é o dobro do que se regista na Palestina – terra mártir, povo punido, nação ocupada.
Também a Grécia andou para trás em tal índice – o único país europeu em que isso aconteceu. Eis os efeitos associados do neoliberalismo e seus agentes operacionais da troika. Não admira, por isso, que mais uma vez países da União Europeia tenham adiado a aplicação da Taxa Tobin, sobre transacções financeiras. O objectivo proclamado de “pôr ordem nos mercados financeiros” pode sempre esperar.
Voltando ao império e suas marchas à ré. Poucas horas depois de os contingentes fundamentalistas islâmicos seus protegidos terem finalmente sido expulsos da cidade estratégica de Homs na Síria, na maior derrota sofrida nos últimos meses, os Estados Unidos designaram os chamados “rebeldes sírios” representantes legítimos do povo do país e reconhecem-nos como os únicos interlocutores diplomáticos. E depois ainda qualificam as eleições em preparação na Síria como uma “paródia”. Cento e cinquenta mil mortos depois os Estados Unidos estão dispostos a continuar com o martírio do povo sírio.
Muito boa noticia.