EDITORIAL – DIA DA VITÓRIA? DE QUEM?

logo editorialPassam hoje 69 anos sobre o dia em que a Alemanha nazi capitulou, depois de Hitler e os seus principais apoiantes se terem suicidado. Cercados, os alemães tiveram de se render. O Alto Comando da Wehrmacht, firmou em Berlim a capitulação incondicional do Terceiro Reich perante as forças aliadas. O documento que Keitel, Friedeburg, Stumpf, e outros, assinaram, dizia: . “Nós, os abaixo-assinados, negociando em nome do Alto Comando alemão, declaramos a capitulação incondicional perante o Alto Comando do Exército Vermelho e também perante o Alto Comando das Forças Aliadas, de todas as nossas Forças Armadas na terra, no mar e no ar, assim como de todas as demais que no momento estão sob ordens alemãs. Assinado em 8 de Maio de 1945 em Berlim. » Na manhã de 9 de Maio, a Rádio do Reich anunciava, em breve comunicado, o final da Segunda Guerra Mundial na Europa. Mais de 70 milhões de mortos, civis na sua maioria, ficavam para trás. Mais de 100 milhões de soldados de mais de sete dezenas de países, estiveram envolvidos na maior e mais sangrenta conflagração que a História da Humanidade regista. Aos olhos da maioria das pessoas, as forças do Bem, os Aliados, tinham vencido as do Mal – o eixo Alemanha/Itália/Japão. Respirou-se de alívio – tudo ia ser melhor. E foi?

A guerra fora desencadeada em 1 de Setembro de 1939 com a invasão da Polónia pela Alemanha, seguindo-se as declarações de guerra da França e da Grã-Bretanha. O drama central desenrolou-se, pois, nesses cinco anos e meio, entre Setembro de 1939 e Maio de 1945 (embora o Japão só se tenha rendido em 2 de Setembro do mesmo ano.

Quase sete décadas decorridas, a Alemanha, ajudada a reerguer-se das ruínas, aí está de novo. Sem aviões, tanques ou canhões, sem suásticas, mas com a mesma arrogância de quem se acha superior, dita leis e toma decisões. Os Aliados venceram e pensou-se que a Democracia triunfara sobre o nazismo. Quando permitiram que os regimes fascistas da nossa Península continuassem a reprimir cidadãos, quando permitiram que a uma Alemanha constituída no último quarto do século XIX continuasse a existir, os Aliados demonstraram que afinal não eram assim tão diferentes das potências do Eixo. Os princípios são bons para ornamentar discursos – o “negócio é que faz o mundo andar”. Chama-se a isto pragmatismo,

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