CARTA DE VENEZA – 85 – por Sílvio Castro

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O centenário de nascimento de Octavio Paz

 

               Um dos grandes intelectuais e poetas latino-americanos, o mexicano da Ciudad de Méjico, Octavio Paz (31 de março 1914 – 20 de abril de 1998), Prêmio Nobel-1990, para a Literatura, tem nesse 2014 o ano do centenário de seu nascimento.

             Trata-se de um evento que não interessa somente à cultura do México, mas que traduz uma das maiores lutas vividas por um homem de letras novecentista para unir a literatura à política. Integrado na complexidade de seu país, Octavio Paz conduz a questão às maiores consequências, isto nos seus ensaios e estudos, bem como na produção lírica. Ele é um daqueles poetas do século XX que leva ao máximo de consequências uma vocação que vem desde Paul Valéry, passa por Eliot, alargando-se com outros líricos da dimensão de Auden ou de Brodskij.

             Ainda que debruçado sobre temas da poesia de diversas épocas, Paz atinge nesse campo uma síntese de raro significado. Para ele, poesia e cultura devem sempre percorrer uma estrada comum:

                     “Quando uma sociedade se corrompe, a apodrecer desde logo é a linguagem. Consequentemente, a crítica da sociedade começa a partir da gramática e o restabelecimento dos significantes“.

              A partir dessas premissas, Octavio Paz estuda a cultura de seu país, dando-lhe uma coerente forma estrutural. Com isso, traduz a existência de um México que possui, desde o seu período colonial, uma distinta classe social dirigente tradutora de uma complexa comunidade mestiça, constituída pelos aristocráticos hispanos e pelos seus descendentes, os “creollos”. A constante ascendência desses na direção do país levará o México à conquista de uma modernidade novecentista.

             A luta de Paz é incessante, pois o México é aquele universo de complexidade que quase sempre viveu longe de Deus e próximo demais dos Estados Unidos.

                     “Escrevi e escrevo porque entendo a literatura como um diálogo com o mundo, com o leitor e comigo mesmo (e o diálogo é o oposto do rumor que nos nega e do silêncio que nos ignora)“.

 

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