A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Mas outras concepções de arte vão surgindo por influência de Moscovo, seguidas à letra pelo Partido Comunista Português, com o porta-voz de Estaline para a cultura, Jdanov, a partir da Segunda Guerra Mundial, a impor a sua posição, defendendo, citando Vítor Viçoso, «uma literatura fundada no culto do herói e do heroísmo. A sua defesa do herói não problemático, sem contradições ou dúvidas, ou seja, de um herói optimista com a convicção do futuro na construção da sociedade socialista, levá-lo-á, mais tarde com o apoio de Estaline, a impor a canonizada imagem do “herói positivo” na arte soviética. Por outro lado, viria mesmo a enumerar os potenciais heróis das obras literárias, isto é, aqueles que eram os construtores activos da vida nova: operários, camponeses dos kolkozes, membros do partido, engenheiros, jovens comunistas, pioneiros, etc. Eram estes os tipos fundamentais e os heróis essenciais da futura literatura soviética. Estas personagens tornam-se assim entidades fixas, catalogadas para sempre quanto ao seu modo de pensar e de agir»(13). Ou seja, digo agora eu, nada mais contrário à vida real e à própria filosofia marxista. Também não era esta literatura que os jovens neo-realistas se propunham criar.