EDITORIAL – A EUROPA  ENTRE O MAQUIAVELISMO E O MANIQUEÍSMO

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As eleições europeias do próximo dia 25 estão a ser muito faladas. Este período pré-eleitoral promete ser muito agitado, pelo menos ao nível verbal. Mas será que os problemas dos cidadãos dos países situados no continente europeu vão ser objecto de uma análise aprofundada, como seria próprio de um período de campanha, no sentido de esclarecer os eleitores sobre quem melhor poderá defender os seus interesses? Claro que estamos muito longe disso… É verdade que os problemas internos de cada país vão pesar cada vez nas preocupações de quem vota, e que isso é extremamente compreensível.

A realização de uma conferência dos organismos que integram a troika no próprio dia 25, em Sintra, é claramente deliberada, visando influenciar as opções de quem vai votar. Trata-se de uma grave interferência no panorama eleitoral português, que merece um repúdio total. Entretanto, não podemos esquecer outros problemas que, mesmo sem serem tratados directamente na campanha, vão pesar fortemente na maneira de pensar dos eleitores.

Um deles será o problema das autonomias. É muito mais vasto do que poderá parecer ao cidadão comum, que não tem grandes possibilidades de acompanhar de perto a vida internacional. Não se limita à Catalunha, ao País Basco ou à Escócia. Também na Irlanda, enquanto não for ultrapassado o problema criado com a separação da Irlanda do Norte do Estado Livre Irlandês, em 1922, continuará a haver conflitos, de que a recente detenção do antigo líder do IRA  Gerry Adams constituirá apenas um exemplo. No próprio reino espanhol há outros casos em potência, como na Bélgica e noutros países. O problema da Ucrânia e os princípios que estão a ser preconizados pela União Europeia para ali serem seguidos, claro que sob a influência norte-americana, são objecto de uma intensa exposição publica, nem sempre nas melhores condições. Os partidos e as personalidades dão a conhecer as suas posições sobre o assunto, e isso vai influenciar o eleitorado.

Dirão, mas é bom que se conheçam as posições das pessoas num assunto tão grave e importante para a Europa. Sem dúvida, mas para além da intensa desinformação que reina sobre o que se passa na Europa Oriental, há a referir que outras matérias têm ficado na sombra, sob o efeito do intenso maniqueísmo que tem reinado no assunto. Há os maus e os bons. Quem apoia os maus não tem razão, quem apoia os bons tem toda a razão. Este problema só poderá ser ultrapassado com uma informação mais intensa e melhor orientada, com o empenhamento isento e esclarecido  da grande comunicação social, para além da CNE, dos partidos políticos e de todos os candidatos. Infelizmente, isso não parece possível no curto prazo.

2 Comments

  1. Folgo por ver referida a questão das autonomias de várias das Nacionalidades que, no Continente europeu, prosseguem oprimidas. Depois da campanha contra Portugal por causa das suas colónias deixou de ouvir falar-se no tema da colonização quando, de facto, nesta Europa, aquilo que não falta é haver colónias. Desde o 25 de Abril que as próprias forças políticas sediadas em Portugal e que tanta campanha fizeram em favor dos Povos das ex-colónias portuguesa, jamais gastaram um só momento na defesa, por exemplo, das colónias mantidas por Castela ou, outro exemplo, daquelas do chamado Reino Unido ou, mais outro, das que a Rússia insiste manter e, também, é bom lembrar, aquelas que a Prússia conquistou e mantém na sua periferia próxima. Mais haveria que citar e, sobretudo, muito que denunciar porquanto para ser-se um Povo colonizado, necessariamente, não precisa ter-se uma diferente cor da pele.CLV

  2. Sobre o assunto vertente apenas tenho a acrescentar que portugal é o único país independente da Península Ibérica… E esta heim? ahahahahahahaha

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