EDITORIAL – Prioridades da «comunicação social»

logo editorialNuma mensagem que um colaborador nos acaba de enviar, diz-se : Passados alguns dias, que notícias houve, nos chamados “media”, sobre a morte de Sílvio Castro? Não se trata, nem seria preciso dizê-lo, do nosso amigo Sílvio, cuja obra gostaríamos de ver mais destacada, só por esse facto. Trata-se de Sílvio Castro, figura notabilíssima da cultura lusófona e não só, mas cuja importância para a difusão da língua e da literatura de expressão portuguesa é excepcional!

A mensagem com esta reflexão amarga de um argonauta, homem ligado às lides da informação, colhe-nos em busca, blogosfera adentro, de referências à morte de Sílvio Castro, ocorrida no dia 9 de Maio. Quase nada encontrámos. Tivesse morrido um futebolista, um cantor de uma qualquer banda – não faltariam notícias, biografias, fotos… Não vamos reproduzir a sua biobibliografia; apenas destacar os aspectos mais relevantes e que nos asseguram da importância que tinha – poeta, ficcionista, ensaísta e catedrático jubilado de Língua e Literatura Portuguesa e de Literatura Brasileira na Universidade de Pádua. Foi presidente da União Brasileira de Escritores e autor de uma obra vasta, com títulos divididos pela ficção, pela poesia e pelo ensaio. No campo da ficção, a sua obra mais divulgada é Memorial do Paraíso — o Romance do Descobrimento do Brasil. O seu livro Poesia do Socialismo Português no Percurso de 1850 a 1974, estudo que ostenta como objectivo central demonstrar a existência, no período considerado, de um recorrente projecto de associar a poesia à realidade sociopolítica portuguesa. Outras obras importantes são: Machado de Assis e a Cidade do Rio de Janeiro (1959); Rachel de Queiroz e o Romance Nordestino (1961);Raiz Antiga (1965); Campo Geral: Estrutura e Estilo de Guimarães Rosa (1970); A Revolução da Palavra: Origens e Estrutura da Literatura (1976);Teoria e Política do Modernismo Brasileiro (1979); A Carta de Pero Vaz de Caminha (1987): O percurso sentimental de Cesário Verde (1990); História da Literatura Brasileira (2000).

Parafraseando o poeta timorense Fernando Sylvan, dizemos – por Sílvio Castro não faremos minutos de silêncio. Faremos todo o ruído que pudermos. Do silêncio se encarregam os «media».

1 Comment

  1. Que dor, ver a ignorância cultural dos nossos jornalistas! Que dor ver a subserviência dos editores às notícias que mais vendem e ao poder! Que dor ver a pobreza do que podemos apreender pelos nossos media. Carlos, para o teu desafio “Faremos todo o ruído que pudermos”, conta comigo para pensarmos que tipo de ruído fazer.

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