DESCOBERTA DO BRASIL, por SÍLVIO CASTRO
Percorro o longe do horizonte debruçado
sobre a proa de uma nau capitânea
que eu não governo, sendo só guiado
pelo ir de encontro à minha linha longe.
Piloto sem bússola, mas guiado sempre
pela minha linha lânguida e aquosa,
de surpresa entrevejo o navegar de flores
sobre as ondas que prendem meu olhar.
As flores se acumulam, quase jardim, e
salteam pelas águas languorosas como guias
de um navegar certo direto ao porto
seguro que me espera e já me abraça.
Desço à terra e a reconheço toda minha
nesta rota de confirmação só de certezas
amáveis, descoberta mais que desco-
brimento, pois meu coração com ela pulsa.
Em festivo bailar, pergunto a Pero Vaz
que me responde vinte e dois de abril.
Mas de quando mil e quinhentos ou
dois mil e onze?
(Veneza, 22 de abril de 2011)
Nota – Este poema do nosso Sílvio Castro, grande professor, amigo e companheiro da Argos, já tinha sido publicado no Estrolabio, precisamente em 22 de Abril de 2011, no VerbArte.
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