BALADA DE FEVEREIRO, de CÉSAR PRÍNCIPE

Imagem1

 

 

CORO DAS AZINHEIRAS

 

Afinal morreste

Em 23 de Fevereiro

Apressou-se

O Estado

A lamentar

A ocorrência

Até a TV

Recuperou

A consciência

Ano da Morte do Zé

E do Zé PoVinho

Tempo de esCravos

Sem flores

Sem espingardas

Do Coro dos Caídos

Do Povo Unido

De cães de estimação

E de vacas sagradas

Nesse dia

Foste recorDado

A cantar

A alvorada

A que se levanta

E nos desperta

Na assombração

A tua profissão

Nunca

Foi o silêncio

E não seria

Em 23 de Fevereiro

Que conseguiriam

CaLar

O Bairro Negro

Proibir

Um Menino de Oiro

Ignorar

O Coro das Azinheiras

Portugal

MadrugaDor

De século em século

Quando obedecerás

De novo

A uma canção

Portugal

Sem alma

Sem CORação

Sem sexo

Entregue

A ladrões de estirpe

E ladrões de ocasião

Zeca

Regressa

Traz

Outro amigo também

Traz

Traz

Outra vila morena

Ao Zé Ninguém

Em cada Novo Abril

Em cada Novo Maio

Retransmitirás

A senha

A quem

Vier por bem

Conta connosco

Conta sempre

Com alguém

Vem

Amigo

Vem

 

César Príncipe

1 Comment

Leave a Reply to Maria de saCancel reply