O SILÊNCIO, de NUNO JÚDICE – tradução italiana de SIMONETTA MASIN

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O silêncio

 

 

Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,

e vejo saírem de dentro dele as palavras que

ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco

com o álcool da memória, para que se

transformem num licor de remorso; outras,

guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,

a quem me perguntar o que significam.

Mas o silêncio de onde as palavras saíram

volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor

do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras

que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só

o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.

 

 

Nuno Júdice, in A matéria do poema, Dom Quixote, Lisboa, 2008

 

 

Il silenzio

 

 

Comincio con un pezzo di silenzio. Lo divido al mezzo,

e vedo uscire da dentro le parole che

sono rimaste da dire. Alcune, le metto in una boccetta

con l’alcool della memoria, perché si

trasformino nel liquore del rimorso; le altre,

le tengo in testa per dirle, un giorno,

a chi mi domanderà ciò che significano.

Ma il silenzio da dove le parole sono uscite

ritorna a diffondersi su di esse. Bevo il liquore

del rimorso; e prendo dalla testa le altre parole

che là sono rimaste, finché il rumore scomparirà, e solo

il silenzio rimarrà, intero, senza nulla dentro.

 

 

Tradução Italiana di Simonetta Masin

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