PRÉMIO DE CONSAGRAÇÃO DE CARREIRA PARA MARIA TERESA HORTA por Clara Castilho

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O Prémio de Consagração de Carreira atribuído anualmente no Dia do Autor Português, pela Sociedade Portuguesa de Autores, vai este ano para Maria Teresa Horta, pela qualidade, extensão e representatividade da sua obra, como poeta e ficcionista.

Maria Teresa HortaÀ Lusa, Maria Teresa Horta afirmou que está “muita satisfeita” pela distinção pelos seus pares, com o Prémio de Consagração de Carreira, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), e garantiu que o vai receber pessoalmente.”Tenho dificuldade em expressar a alegria, mas na verdade fiquei muito satisfeita, sempre tive um percurso muito perto da literatura e sou uma mulher que amo, amo a literatura, tenho uma paixão pelos livros – adoro livros – e toda a minha escrita é atravessada pela reflexão sobre a própria escrita”. Não é preciso apresentar Maria Teresa Horta. Tem sido muitas vezes recordada neste blog. Ainda recentemente falámos  da conversa ocorrida, com Maria Isabel Barreno no auditório da Biblioteca Museu República e Resistência, onde se pretendeu assinalar os 40 anos da Revolução dos Cravos, abordando a forma como as mulheres eram vistas e tratadas antes desse acontecimento, fazendo a ponte para a actualidade: «E agora Maria?».Para além de todo o seu contributo, que para sempre ficará, para a literatura portuguesa, ficará, também lembrada pela sua intervenção política, nomeadamente nos acontecimentos ocorridos após a publicação em Abril de 1972 de “Novas Cartas Portuguesas” (em co-autoria com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa). Acusado o livro de pornografia e ultraje à moral pública, retirado do mercado, as autoras foram acusadas e levadas a tribunal. Ficará também na história do movimento de luta das mulheres pela igualdade.

Mas fiquemos antes com um seu poema

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

 

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