PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – NÃO HÁ SAÍDAS LIMPAS: TRÊS ANOS DE DESTRUIÇÃO HISTÓRICA | ANÁLISE NO TRABALHO E NO EMPREGO

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16 de Maio de 2014

A Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis, recolheu e analisou os dados sobre emprego dos últimos três anos e conclui que nos três anos de memorando da troika bateram-se todos os piores recordes: a emigração de mais de 350 mil pessoas, a destruição histórica de mais de 370 mil empregos, a perda drástica da população (180 mil pessoas), em particular da população activa (243 mil pessoas) e da população empregada (372 mil). Simultaneamente, atingiu-se o número mais elevado de sempre de desempregados (1 milhão 217 mil) e a mais alta taxa de desemprego de sempre (17,7%), instalando-se a precariedade laboral e de vida como forma predominante de trabalhar no país. Ver documento com análise completa aqui.

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Um país com números de emprego, população e salários a voltar às décadas de 90 e 80, com uma emigração apenas comparável à dos anos 60 e uma qualidade de trabalho em deterioração permanente é a herança daquilo que vem sendo anunciado nas últimas semanas como a “saída” “limpa” da troika de Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.

No balanço das alterações económicas, sociais e laborais implementadas segundo o memorando da troika, fica a recomposição do regime social, no sentido da reestratificação da sociedade, com um empobrecimento generalizado de quem obtém os seus rendimentos do trabalho e uma transferência inédita da riqueza no sentido do refinanciamento da banca e da finança.

A política da austeridade, cujos motores são o desemprego e a precariedade, manter-se-á, sendo a agenda afirmada pelos partidos do governo e garantida pelos tratados económicos europeus. A própria troika continuará a estar presente no país, para avaliações regulares, que apenas passarão de trimestrais a semestrais. O plano da austeridade como forma de organizar a economia está ainda longe de estar completo, mas o país e quem trabalha nele vivem hoje nos escombros do que já foi uma sociedade com aspirações à dignidade no trabalho e na vida. É essa perspectiva que governo e troika querem enterrar. É essa perspectiva que iremos defender, lutando contra a precariedade, o desemprego, a austeridade e todos os seus defensores.

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