EDITORIAL – Uma vitória pírrica

logo editorialPara um partido que acaba de ficar em primeiro lugar nas eleições para o parlamento europeu, naquilo que, num discurso triunfalista, o seu secretário geral considerou uma «grande vitória», o Partido Socialista vive uma crise que só uma derrota pareceria justificar.

Ontem, à demissão de Jorge Lacão do secretariado nacional do PS, seguiu-se a de Susana Amador. Na origem da crise a convocação ou não de um congresso extraordinário exigido por António Costa. Também ontem, o líder parlamentar, Alberto Martins, disse que há regras constitucionais do partido que devem ser respeitadas e que quem quiser  disputar o lugar de Seguro terá de reunir apoios na comissão nacional ou nas distritais. Porém, António Costa pretende queimar etapas e apela para princípios éticos que levem António José Seguro a convocar o congresso. Mas o líder do PS continua refugiado no que António Costa designa por “questões metodológicas”. A discussão deverá ficar adiada para o próximo sábado, para a reunião da comissão nacional. Bem vistas as coisas, Seguro não tem de fazer o que convém ao seu opositor e pode entrincheirar-se atrás dos estatutos e procurar recuperar forças, estabelecer alianças – ganhar tempo.

Perguntar-se-á – o que tem tudo isto a ver com o socialismo, com aquele ideal que ensaiou os primeiros passos com Saint Simon e Owen, que cresceu amparado pelo resfolegar das máquinas com que o capitalismo inaugurava a era industrial. Ideal que com Marx Engels, passou da fase utópica à fase cientifica… Absolutamente nada. Apenas um vocábulo, um substantivo, desprovido de substância, liga este «socialismo» em que se luta por lugares, benesses, influências, a esse socialismo que preconizava a demanda de uma generosa utopia – a de toda a humanidade conviver numa comunidade fraterna, igualitária e livre. Falando a linguagem do pragmatismo reinante,  este «socialismo», configura um caso de apropriação e uso indevido de uma marca que, ao longo de dois séculos, gerações de trabalhadores registaram com o seu sangue.

É uma fraude.

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