EDITORIAL  –  O IMPÉRIO ATACA.

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A questão da Ucrânia está cada mais complicada. Obama, muito pressionado internamente, avança (para onde o deixam, claro), ameaça a Rússia com sanções, e dá a entender que pode passar a outra fase. Os senhores que agora estão em Kiev são incitados a esmagar os chamados pró-russos, e Putin é diariamente acusados de incitar à violência, apoiar os que desejam que a Ucrânia se torne um estado federal. A NATO reforça a presença nos países bálticos, cidadãos russos tidos como amigos de Putin são ameaçados com acções em tribunal (isto enquanto que os Estados Unidos continuam a recusar-se a aderir ao Tribunal Penal Internacional), e faz-se pressão sobre os países europeus para que deixem de comprar gás e  petróleo à Rússia. Para passar a comprá-los aos Estados Unidos, claro.

Os ucranianos estão debaixo de enorme pressão. Das eleições que têm realizado, saem-lhes invariavelmente da cartola incompetentes e corruptos. Entalados entre os Estados Unidos, a Europa e a Rússia, dificilmente poderão fazer outra coisa que não ceder ao mais forte. A Rússia percebe que é o grande alvo dos intentos americanos, e está a tentar fortalecer-se, negociando com a China e tentando, com pouco sucesso, afastar a Europa dos americanos. A Europa está totalmente submetida ao poder financeiro, e militarmente depende completamente dos Estados Unidos, que a pressionam para celebrar o famoso TAFTA, tratado de livre comércio.

Os Estados Unidos avançam para o seu grande alvo que é cada vez mais claramente a Rússia. Procuram segurar o que acham que é o seu pátio das traseiras, a América Latina, desestabilizando a Venezuela, e não só, no Pacífico apoiam o Japão contra a China, e no Médio Oriente e na África, fingem que não vêem Israel esmagar os palestinianos, na Síria apoiam os inimigos de Assad, que ainda são piores que ele, e regra geral, hostilizam qualquer poder que julguem capaz de entravar os seus intentos.  Quanto à Europa, devem pensar que no futuro, parte dela possa vir a integrar a sua União. O resto poderá ter um estatuto semelhante ao de Porto Rico.

Entretanto, Obama, num discurso de há dias na Academia Militar de West Point, classificou a Rússia e a China como os seus principais adversários. Agora, no seu tour europeu, que culmina hoje nas comemorações do 70º aniversário do desembarque na Normandia, permitiu-se emitir opiniões sobre a independência da Escócia, que prefere integrada no Reino Unido. Assim, vamos sabendo o que nos espera, se o TAFTA avançar.

 

1 Comment

  1. * Como sempre os Estados Unidos insistem em ser o PODER dos poderes num constante jogo duplo -Deixem os povos seguir o rumo que escolhem sem chantagens de ordem vária -Maria *

    No dia 6 de Junho de 2014 às 13:23, A Viagem dos Argonautas escreveu:

    > joaompmachado posted: ” A questão da Ucrânia está cada mais > complicada. Obama, muito pressionado internamente, avança (para onde o > deixam, claro), ameaça a Rússia com sanções, e dá a entender que pode > passar a outra fase. Os senhores que agora estão em Kiev são incitados a > esm”

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