Depois de preparada a série de trabalhos sobre os resultados das europeias, a terminar com a nossa leitura sobre os resultados das eleições europeias em Portugal, eis que tomámos conhecimento do texto de Zygmunt Bauman, sobre as eleições europeias, a Política (talvez com um p pequeno, sobre a desigualdade. Não hesitámos um segundo em colocá-lo à disposição de todos aqueles que habitualmente nos acompanham nestas viagens dos argonautas ou que por ela passam de visita meramente ocasional, daí que se espere sempre que ganhem depois o hábito de nos acompanharem.
Trata-se de um texto notável, de difícil tradução por vezes, devido à utilização de conceitos que são próprios a Zygmunt Bauman e, se erros houver, aqui apresentamos e desde já o nosso pedido de desculpas, trata-se de um texto notável que se aconselha sobretudo a políticos como António Costa e António José Seguro ou a analistas sérios como Nicolau Santos.
Aos dois primeiros pelo combate político que se adivinha e que alguns tiros de morteiro nitidamente assassinos, a utilizarem material de ataque proibido por todas as convenções internacionais assentes no respeito e na boa educação, se começam já a ouvir. Daqui um retrato de um desses disparos:
“Seguro e o fim do III Reich
José Borges 02.06.14 Reconhecendo que o ponto de partida possa parecer falacioso por aparentar representar uma redução hitleriana, a verdade é que a acção de um homem com poder que vê o seu mundo ruir pelo princípio democrático da discussão, é tão perigosa quanto destrutiva. Se Hitler ameaçava levar o mundo todo com ele para o abismo caso a Alemanha tombasse, assim parece agir António José Seguro do seu ninho de águia, lugar supremo da abstração e da desrazão. O Partido Socialista, pilar fundamental da manutenção e aprofundamento da democracia no nosso país, encontra-se hoje nas garras de um homem perdido. Misto de Cavaleiro da Triste Figura, rodeado dos seus Sanchos Panças, qual D. Quixote a lutar contra moinhos de vento, e de autoritária índole a preferir um Partido na Clandestinidade três vezes bloqueado. Agindo em nome do que o cidadão espera de uma política renovada, fecha os olhos ao mais elementar dos factos: o país está com António Costa e exige-o. E exige-o não porque, ao contrário do que João Soares afirmou, tenhamos em nós a esperança sebastianista mas porque ainda somos autónomos para decidir quem, de entre nós, ser perfila o melhor para servir a República.”
Este texto é extraído de um blog onde escrevem os seguintes autores :
André Couto; António Costa; Filipe Nunes; Graça Fonseca; Hugo Gaspar; Isabel Moreira; José Borges; João Galamba; Mariana Vieira da Silva; Miguel Vale de Almeida; Pedro Delgado Alves;Tiago Barbosa Ribeiro
e a informação foi-me dada por António Cerveira Pinto no seu blog, a quem publicamente agradeço a informação. Sobre isto, cada um que tire as suas ilações, mas este texto é um exemplo de que se não há cuidado sobretudo pela parte de Costa e de Seguro é a própria Democracia que temporariamente será esventrada na rua e pelos media enquanto o actual executivo se vai encarregando de desventrar o povo português.
Mantemos o que escrevemos sobre as eleições europeias em Portugal, mantemos que a questão passa pela Europa, pelo Euro, pela governança europeia em que agora até parece que ninguém sabe como se deve eleger o Presidente da Comissão Europeia e tudo isto por causa do Tratado de Lisboa. Quanto a este, trata-se de um texto trazido pela mão de Valery Giscard d’Estaing. Não me interessa quanto pagou pela partícula d’ do seu nome, uma vez que a família teria ambições de que seria um grande homem de Estado, mas gostaria de saber quanto recebeu dos povos europeus pela elaboração do projecto de Constituição Europeia que está na base do Tratado de Lisboa. Se o problema reside então na Europa, na sua governança, na sua política de costas para tudo o que é Democracia como penso e expliquei no texto anterior , então não me é compreensível o texto de Nicolau Santos, texto elegante e de um respeito espantoso por todos, onde se afirma, na sua peça O país agradece a António Costa:
Pode ser muito duro mas olha-se para António José Seguro e o que se vê é um futuro François Hollande, que chegou ao Eliseu por falta de comparência dos adversários e em dois anos deitou fora todas as bandeiras pelas quais se bateu, além de se ter tornado irrelevante para Berlim.
Aqui lamentamos, primeiro uma inverdade, a de que François Hollande ganhou por falta de comparência de adversários, ou Sarkozy não era um adversário? Era, mas era do sistema e por isso perdeu. Simplesmente isso. Mas no texto Nicolau Santos reconhece que há bandeiras, que essas bandeiras são do desagrado de Berlim, e portanto governa-se sim ou não de acordo com esta capital na Europa. Mas sendo assim, Nicolau Santos confirma o meu texto sobre as eleições europeias em Portugal, sendo assim, conviria que Nicolau Santos explicasse aos leitores do Expresso, entre os quais eu próprio, sobre este campo, o das bandeiras a desfraldar, primeiro, e depois, o das bandeiras a aguentar assim como o das bandeiras a reinventar, até sobretudo estas, que António Costa é mais seguro que o próprio Seguro. Se nada disto é seguro, porque colocar então o país perante esta situação de choque entre dois homens importantes para o país, de que o texto reproduzido acima é já um bom indicador? Para além do mais há a profunda deselegância e de um desrespeito total por todos os eleitores e mais do que isso por todos aqueles que nas cidades, nas câmaras, nas juntas de freguesia, nas suas secções, deram corpo à mensagem que o PS transmitiu para as eleições e que agora lhes vêem dizer que andaram agarrados a ideias erradas! Todos mereciam mais.
… Comentários para quê?
Governo e partidos plíticos são indestrinçáveis.
Chamar democracia a esta paródia, só com muito boa ou com muito má vontade.
Há que reformar o sistema e afastar de vez os partidos.
Devolvam o poder ao povo.
… Comentários para quê?
Governo e partidos plíticos são indestrinçáveis.
Chamar democracia a esta paródia, só com muito boa ou com muito má vontade.
Há que reformar o sistema e afastar de vez os partidos.
Devolvam o poder ao povo.