Abundantes recursos naturais, acompanhados de monumentais fluxos emigratórios provenientes do excesso de população do Velho Mundo, iam transformando toda a sociedade americana.
As grandes migrações internas de leste para oeste e de sul para norte não impediam as cidades de crescer. A esmagadora maioria dos emigrantes preferia instalar-se nos grandes centros urbanos, abalando a consciência americana com a passagem da visão agrária para a visão citadina.
A Guerra Civil de 1861-1865, na qual onze Estados sulistas tentam separar-se da União e formar uma confederação independente, seria em boa parte um reflexo do conflito entre uma sociedade agrária tradicional e uma sociedade industrial dinâmica e prometedora.
Quando, em 9 de Abril de 1865, o general confederado Robert Lee se rende ao general Grant, era o Norte industrializado que derrotava o Sul agrícola.
Com mais de 600 000 mortos, esta guerra viria a ser a mais onerosa da história americana. Custara 359 000 ao Norte e 258 000 à Confederação.
A guerra pela independência sulista inclui combates tão grandes e devastadores como os de Napoleão. O Sul fora quase todo devastado: plantações destruídas, linhas férreas arrancadas, cidades em ruínas. Pela primeira vez, utilizam-se o caminho-de-ferro e as trincheiras como meio de combate. Aeróstatos servem para efetuar reconhecimentos. Modernos canhões raiados de aço substituem os obsoletos canhões lisos de bronze. Já não eram carregados pela boca, mas pela culatra, situada na parte posterior da peça. As espingardas de pederneira deram lugar às de culatra móvel, onde podia introduzir-se uma bala. Todas estas inovações ajudavam a aumentar o alcance e a eficácia das armas utilizadas.
Durante esta guerra, verificaram-se 2000 choques armados, dos quais 150 foram verdadeiras batalhas, houve vários combates navais e tomaram parte mais de dois milhões e meio de soldados. (1 556 687 da União e 1 082 119 confederados).
A Guerra Civil americana é considerada a primeira das guerras totais. Há mesmo quem veja nela a prefiguração da primeira guerra mundial.
O presidente Abraham Lincoln acabaria por vir a ser assassinado no rescaldo desta tremenda confrontação interna. Contudo, a nação encontraria não apenas a sua unidade, como determinaria a direção do desenvolvimento social e económico do povo americano. A guerra destruirá o poder de «Sua Majestade, o Algodão». Como é referenciado, «o colapso do capitalismo de latifúndio assinalou a ascensão do capitalismo industrial». Assente numa força migratória que não parava de fluir e na audácia de um povo prodigioso, a industrialização americana iria revelar-se, a todos os títulos, imbatível.
Paralelamente ao aparecimento das primeiras relações de poder assentes nos princípios que norteiam a lógica do capitalismo industrial, surgem os esboços da contestação operária organizada conforme era possível.
Pode fazer-se remontar a aparição de grupos operários americanos a 1830, em Nova Iorque e Filadélfia. Todavia, já nos finais do século XVIII pode localizar-se nos Estados Unidos algumas greves entre os tipógrafos e carpinteiros de Filadélfia.
Parte, porém, dos impressores de Nova Iorque e dos alfaiates de Baltimore a primeira iniciativa de formar uma organização sindical em terras da América do Norte.
Será também um alfaiate de Filadélfia quem, por volta de 1860, funda a sociedade secreta denominada Cavaleiros do Trabalho, destinada a melhorar a situação dos assalariados.
É notável o esforço desta espécie de franco-maçonaria na sua tentativa de construir uma organização trabalhista, a nível nacional, que englobe todo o género de trabalhadores.
Depois de um período em que o movimento vegeta nas suas contradições, em 1878, o mecânico Powder, eleito grão-mestre, faz abolir o carácter secreto da organização e alarga o programa para o âmbito das lutas grevistas pela conquista do dia de oito horas de trabalho.
Faltando-lhes a disciplina indispensável para conseguirem vencer pela astúcia os patrões que utilizavam toda a espécie de expedientes, atingindo proporções demasiado grandes e de difícil controlo, incapazes de ultrapassar o «complexo» do drama do 1º de Maio de Chicago, os Knights of Labour acabariam por ser, em 1892, uma organização de influência reduzida.