EDITORIAL – De novo o Acordo Ortográfico

logo editorialComo temos afirmado e como a nossa prática diária o atesta, somos um blogue plural, um forum onde todas as ideias, desde que respeitem princípios básicos do convívio democrático, podem ser defendidas. O blogue não tem uma linha política definida e, pode dizer-se, não existem consensos políticos – o que em nada impede o nosso  bom funcionamento. Posta esta questão de princípio, hoje, Dia de Camões, falemos da “Língua de Camões”.

A polémica sobre o Acordo Ortográfico não é excepção e, entre os colaboradores, há quem reprove, quem aprove e quem entenda que o assunto carece de importância – há quem escreva segundo as novas regras e quem as ignore. Deve dizer-se que o grupo anti-AO é mais numeroso e que os indiferentes têm vindo a tomar posição, abandonando a neutralidade.

Temos procurado desencadear um debate sereno sobre o tema, onde se apresentem razões culturalmente válidas, cientificamente credíveis – que se ponham de parte, picardias, falsos problemas, deturpações grosseiras das bases do documento; que deixem de se apresentar razões políticas de duvidosa sustentabilidade e, sobretudo, motivos comerciais. Um recente editorial do Jornal de Angola, entre muitas outras afirmações com que concordamos, diz: Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.

Concordamos plenamente. Dedicaremos a este artigo do Jornal de Angola a atenção que lhe é devida.

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