EDITORIAL – Um emigrante chamado Fernando…

logo editorialA ideia de que só agora estamos a exportar gente qualificada, não corresponde minimamente à realidade. Mesmo nos períodos em que, fugindo à miséria e à guerra colonial, rumaram ao estrangeiro vagas de trabalhadores braçais, saíram também portugueses de grande envergadura intelectual – nomes como os de Jaime Cortesão, Jorge de Sena, José Rodrigues Miguéis, Agostinho da Silva, Paula Rego… Uns em busca de trabalho outros em busca de liberdade. Havia os que demandavam ambas as coisas.

Não subestimamos a gravidade da actual situação – desde 1998, mais de um milhão de portugueses, na sua maioria jovens e com qualificações académicas e profissionais, saiu do país em busca de trabalho. É grave porque a população do país vai envelhecendo em termos médios, a proporção entre trabalhadores activos e reformados desequilibra-se. Se quisermos encontrar algum factor positivo nesta hemorragia demográfica, teremos de nos centrar num aspecto – alguns dos jovens que partem, com diplomas, mas sem experiência profissional, voltarão um dia dotados dessa experiência. É uma história que vem de longe.

Amanhã celebra-se um emigrante. Um rapaz de Alfama chamado Fernando e que nasceu cerca de 1195. Ensinou em várias universidades da Europa e fixou-se em Pádua, onde morreu em 13 de Junho de 1231. Diz-se que fez milagres. Foi doutor da Igreja. Passou à história como António, Santo António. Já devem ter ouvido falar.

1 Comment

Leave a Reply