A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Para o meu pontapé de saída não tive naturalmente o auxílio de um «robot» como o jovem paraplégico que, utilizando um exoesqueleto, deu o pontapé na bola que constituiu o momento de abertura na festa que antecedeu o primeiro jogo do Mundial. Este é, para mim, o momento da esperança para os paraplégicos poderem vir a dispensar as cadeiras de rodas, o momento deste Mundial que mostra como o Mundo pode ser belo se nos dedicarmos ao desenvolvimento científico e tecnológico para bem da Humanidade. Mas, se não me servi do exoesqueleto, não deixei de me servir, para dar nome a esta crónica, do título de uma das obras de um dos maiores escritores do século passado, Manuel Vásquez Montalbán, «Fútbol – Una religión en busca de un Dios», que alterei ligeiramente por razões que se perceberão no final.
Para que não surjam dúvidas, sobretudo às dezenas dos meus familiares brasileiros, eu estava a torcer pelo Brasil e, já agora, adianto que, não vendo que a selecção de Portugal possa sair vencedora deste campeonato mundial, torcerei pela selecção brasileira. No entanto, para que o Brasil venha a ser o campeão, torna-se necessário que jogue bem mais do que mostrou neste jogo inaugural, que o esquema do sofrível Scolari não mate a magia e a imprevisibilidade de alguns dos talentos que esta selecção tem, embora não tão mágicos que nos façam esquecer os Garrinchas de outros tempos.