CARTA DE LISBOA – Nem santos, nem populares – por Pedro Godinho

lisboa

 

 

Lisboa viu chegar as festas dos santos. Nos bairros populares há marchas, sardinha e vinho.

O tostãozinho para os altares de santo Antoninho é que já tinha sido arrebanhado, sem escolha e à traição, no enorme aumento de impostos que, com o nosso dinheiro, o Vítor ofereceu a Pedro e Paulo. Foi tal a festa que, mais tarde, os seus, beberam o champagne, directamente da garrafa.

Mas o arraial não deve fazer esquecer outras cenas, que podem afectar directamente presente e futuro.

E se, vagal ou não, o presidente perder a memória e a lucidez?

E, apesar disso, insistir em continuar ao leme?

Não é que, consciente, seja um agente positivo da democracia portuguesa. Não o foi como ministro ou primeiro-ministro, não o é como presidente da República. Trouxe consigo a adaptação à democracia dos tiques do autoritarismo e rigidez do antigo regime. Foi com ele que se lançou o grande assalto ao aparelho de Estado de arrivistas, golpistas e jotinhas. Maus hábitos, rapidamente copiados por outros, invejosos duma maioria absoluta, ou absolutista.

Mas não estou a discutir se um qualquer ensandecido faria melhor, para o país, que o atual presidente. Antes surpreendido que aos nossos tão aclamados constituintes e legisladores não preocupe, nem tenha preocupado, dotar o sistema político dum mecanismo de “impedimento”, cuja ausência faz do presidente um reizinho a prazo.

E que os grandes políticos que temos continuem apenas interessados pelas suas lutas intestinas e a viver num mundo próprio, onde não cabem os cidadãos. Resistindo a toda e qualquer mudança do sistema político e eleitoral que lhes ameace a posição.

Para democracia, ainda nos falta muito.

 

Leave a Reply