A POESIA AMARGA, de MANUEL SIMÕES
Poesia, te escrevo
despojada
inquieta desde a raiz
que te demarca e domina.
Despojada te quisera
tal uma faca de pedra
dissecando a geografia.
Poesia, te escrevo
tão amarga
como aquela alegoria
que te contorna o sentido.
Tão amarga te quisera
ardorosamente inscrita
com rigor de geometria.

