Os acontecimentos no Iraque são extremamente graves, e tudo leva a crer que estamos no início de uma nova fase na vida do país, como auspícios muito pouco favoráveis para as suas populações. A ofensiva do ISIS – Islamic State in Irak and Al-SHAM (Estado Islâmico do Iraque e Levante), entidade de contornos imprecisos, mas que parece ser forte militarmente, com experiência da guerra na Síria e dotada de grande furor religioso, surpreendeu muita gente, inclusive as potências ocidentais. Os Estados Unidos, embora pela boca do seu presidente Obama, venham à cena fazer ameaças, não estarão muito desejosos de intervir, e deverão preferir apoiar uma das partes. Fala-se de fazerem aliança com o Irão para enfrentarem este caso, o que, a confirmar-se, seria uma curiosa inversão de posições.
Mas é pouco provável que assim seja . A balcanização do Iraque, e talvez da Síria, é um cenário cada vez mais provável. Para as populações destes países as perspectivas são muito más: estado de guerra permanente, alterações drásticas e constantes na geografia política, fanatismo religioso cada vez mais presente na política, retrocesso civilizacional generalizado. Obviamente que haverá uma tendência latente a impor-se: em todo o Médio Oriente predominarão, de um lado, o estado de Israel, confessional e fortemente militarizado, do outro, monarquias tradicionais como a Arábia Saudita, o Qatar e mais alguns países, governados de moldes semelhantes. O estado palestiniano é um cenário cada vez mais longínquo. Os israelitas já mostraram o quanto consideram as iniciativas do papa Francisco e de outras personalidades, insistindo na construção de casas em territórios ocupados.
O irredentismo islâmico tem atacado no Cáucaso e cada vez mais em África, sob as suas piores facetas, que incluem a guerra santa permanente, o primado do ensino religioso sobre o ensino laico e o retrocesso dos direitos da mulher. Os Estados Unidos e as restantes potências ocidentais favoreceram-no, contra a URSS, e o avanço do socialismo no chamado terceiro mundo. É de temer que, agora, em vez de ajudarem a contê-lo, por exemplo, convencendo Israel a desistir de se tornar um estado confessional, e ser um estado laico, com separação efectiva da religião e do estado, e liberdade de religião para todos os cidadãos, procurem antes ir enfrentando os conflitos com paliativos, sem os solucionar.
Sugerimos os links seguintes:
http://www.al-monitor.com/pulse/security/2014/06/syria-iraq-isis-invasions-strength.html#

