EXEMPLO DE QUE É POSSÍVEL DAR A VOLTA QUANDO A VIDA CORRE MAL por Clara Castilho

transferirDo Jornal “Notícias Cabo Verde”, (26 de Agosto de 2011) tirámos a história de um ex-presidiário que agora é  educador de jovens. Johnson Semedo contou as várias vezes que esteve preso, primeiro pouco tempo e depois aumentando até 10 anos de prisão. Encontrou na rua uma espécie de irmandade junto de dezenas de outros jovens na sua situação; dormiu debaixo de arbustos, papelão, e descobriu uma liberdade nova, o afecto dos amigos: “dormíamos enroscados uns nos outros, partilhávamos as refeições.”Em casa batiam-lhe. Na rua, quem lhe batesse, ele podia ripostar, numa lógica de “olho por olho, dente por dente.”  No Bairro da Cova da Moura, em Lisboa, foi evoluindo na escola do crime. Vieram os colégios internos, as casas de correcção, mas nem o mínimo conforto que estas ofereciam podia segurá-lo. “Saí de lá mais ‘profissionalizado, com mais técnica e autoconfiança para o mundo do crime.”

Com a morte do pai, e o facto de não poder ter ido ao seu funeral, fê-lo pensar  que tinha de mudar de vida, fazer uma desintoxicação.

Hoje é pai de dois filhos, marido, motorista profissional, treinador de futsal, com 25 jovens a seu cargo, interventor social da Associação Cultural Moinho da Juventude. Agora faz planos para estudar sociologia na universidade.

A sua história de vida, a sua recuperação exemplar, faz de si um convidado especial para palestras sobre a delinquência juvenil, como foi o caso do prestigiado encontro TEDx, realizado na Casa da Música, no Porto, em Março deste ano.

 É um homem respeitado na Cova da Moura e não só.

Apesar de tudo, os largos anos atrás das grades deixaram marcas profundas no seu espírito. “Ainda hoje, há momentos em que sinto os ‘sinos’ da memória, e quando estesImagem1 (2) tocam dou por mim lá na cela, na prisão, mas isso ajuda-me a reflectir sobre o dia-a-dia, ajuda-me a encontrar soluções para os problemas do quotidiano; é um sítio que não desejo a ninguém e peço a Deus para que nunca mais volte àquela casa.”

 

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