CANÇÃO DE SALABU, de MÁRIO DE ANDRADE

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CANÇÃO DE SALABU, de MÁRIO DE ANDRADE

1928 - 1990
Mário Coelho Pinto de Andrade 1928 – 1990

Nosso filho caçula
Mandaram-no pra S. Tomé
Não tinha documentos
Aiué!
Nosso filho chorou
Mamã enlouqueceu
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho partiu
Partiu no porão deles
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Cortaram-lhe os cabelos
Não puderam amarrá-lo
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho está a pensar
Na sua terra, na sua casa
Mandaram-no trabalhar
Estão a mirá-lo, a mirá-lo
– Mamã, ele há-de voltar
Ah! A nossa sorte há-de virar
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé
Nosso filho não voltou
A morte levou-o
Aiué!
Mandaram-no pra S. Tomé

 

 

Fui buscar este poema do Mário de Andrade ao Estrolabio, a um texto do Fernando Correia da Silva que podem ler em:

estrolabio.blogs.sapo.pt/2010/12/?page=15

O texto é formidável e vocês só ganham em lê-lo, para saberem mais sobre o Mário de Andrade, um grande activista político, escritor e pensador de primeiro água, de Angola e de toda a lusofonia. E também sobre outras figuras da época em que se passam os encontros que teve com o Fernando Correia da Silva.

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