Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 14 – por Álvaro José Ferreira

 

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

Fado do Lugar-Comum

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 34-35; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 68-69)
Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado Bailado)
Intérprete: Mísia* (in CD “Drama Box”, Liberdades Poéticas/Naïve/EMI-VC, 2005)

Vida amarga a que passei
de infortúnios sem história
governou-a a dura lei
vida amarga a que passei
do amor e da desmemória

tristes palavras ao vento
fui deitando devagar,
sabiam ao meu lamento
tristes palavras ao vento
eram meu jogo de azar

tenho os olhos rasos de água
e em tanta melancolia
como flor feita da mágoa
tenho os olhos rasos de água
nos limos da maresia

a chorar mal reconheço
o coração tão estranho
assim virado do avesso
a chorar mal reconheço
a voz com que o acompanho

meu pobre contentamento
meus nervos então arrase
ao ver momento a momento
meu pobre contentamento
ter falhado, estando quase

ah, fado, és lugar-comum
sustentas-me o coração
sem lhe fazer bem nenhum
ah, fado, és lugar-comum
e pura contradição

* José Manuel Neto – guitarra portuguesa;  Carlos Manuel Proença – viola de fado; Daniel Pinto – baixo acústico

Gaivota Doente

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 32-33; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 67)
Música: Mário Pacheco
Intérprete: Mísia* (in CD “Drama Box”, Liberdades Poéticas/Naïve/EMI-VC, 2005)

Perguntei ao mar salgado
pela gaivota doente
por seu voo desenhado
à crista das ondas rente

seu bico tocava a espuma
e nas asas transportava
branco estilhaço de bruma
que à luz do sol faiscava

perguntei ao mar salgado
pela gaivota doente

viveu na rosa-dos-ventos
nos halos da maresia
e entre os algodões cinzentos
das nuvens quando as havia

viveu na rosa-dos-ventos

mas o mar já não a espelha
não vem mais à maré vaza
nem às nuvens aparelha
nem o vento é sua casa

nem o vento é sua casa

[instrumental]

perguntei ao mar salgado
pela gaivota doente
por seu voo desenhado
à crista das ondas rente

digo ao mar salgado assim:
nunca mais ninguém a viu
nem voa dentro de mim
porque o meu amor partiu

* José Manuel Neto – guitarra portuguesa ;  Carlos Manuel Proença – viola de fado;  Daniel Pinto – baixo acústico;  Arranjos – José Manuel Neto, com colaboração de Carlos Manuel Proença;  Conceito e produção artística – Mísia;  Produção executiva – Inês Mota / Liberdades Poéticas, Lda.
Gravado nos Estúdios Xangrilá (Lisboa), Studio Plus XXX (Paris), Studio de la Seine (Paris), Audio Spot Studio Digital (Madrid), Gallery Studio (Londres), Todd’s Studio (Nova York);  Engenheiro de som – Silvio Soave.

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