GACELA DEL AMOR IMPREVISTO, de FEDERICO GARCÍA LORCA – tradução de EUGÉNIO DE ANDRADE

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GACELA DEL AMOR IMPREVISTO, de FEDERICO GARCÍA LORCA

 

Lorca em 1934. (1898 - 1936)
Lorca em 1934.
(1898 – 1936)

 

Nadie comprendía el perfume

de la oscura magnolia de tu vientre.

Nadie sabía que martirizabas

un colibrí de amor entre los dientes.

 

Mil caballitos persas se dormían

en la plaza com luna de tu frente,

mientras que yo enlazaba quatro noches

tu cintura, enemiga de la nieve.

 

Entre yeso y jazmines, tu mirada

era un pálido ramo de simientes.

Yo busque, para darte, por mi pecho

las letras de marfil que dicen siempre,

 

siempre, siempre: jardín de mi agonía,

tu cuerpo fugitivo para sempre,

la sangre de tus venas en mi boca,

tu boca ya sin luz para mi muerte.

 

In Las Cien Mejores poesias de la Lengua  Castellana, organização de Luis Alberto de Cuenca, Austral Poesía, 6.ª edição, 2007.

 

 

 

GAZEL DO AMOR IMPREVISTO

Eugénio de Andrade, por Carlos Botelho (1923 - 2005)
Eugénio de Andrade, por Carlos Botelho
(1923 – 2005)

 

 

Ninguém compreendia o aroma

da escura magnólia do teu ventre.

Ninguém sabia que martirizavas

um colibri de amor  entre os teus dentes.

 

Mil potros persas adormeciam

na praça lunar da tua fronte,

enquanto eu enlaçava quatro noites

a tua cintura, hostil à neve.

 

Entre gesso e jasmins, o teu olhar

era um pálido ramo de sementes.

Procurei, para te dar, no meu peito

as letras de marfim que dizem sempre,

 

sempre, sempre:  jardim desta agonia,

teu corpo fugitivo para sempre,

teu sangue arterial na minha boca,

tua boca já sem luz para esta morte.

 

 

Tradução de Eugénio de Andrade

In Trinta e Seis Poemas e Uma Aleluia Erótica, Federico García Lorca, Editorial Inova Limitada,

Colecção As Mãos e Os Frutos, Porto, 1968.

 

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