EDITORIAL – A ESCOLA QUE TEMOS E A QUE QUEREMOS

 

Alguns alunos já estão de férias, para grande dor de cabeça dos pais que só têmlogo editorial um mês de férias, ficando na necessidade de pagar alternativas, quando não têm outro tipo de apoio familiar. Para outros, ainda há o stress dos exames. Quanto aos professores, muitos sabem que não irão ter emprego para o próximo ano lectivo, ou, se o tiverem, poderão ter de deixar a família num ponto do país e dar aulas a mais de 300 Km de distância.

Anuncia-se o encerramento de 311 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, o que vai implicar que o número de alunos por turma que integram crianças com necessidades educativas especiais vá aumentar. Isto é contra as regras, para além de ser contra o já conhecido, quanto às condições dadas a essas crianças e a todas as outras da turma.

O relatório TALIS (Teaching and Learning International Survey) referente ao ano de 2013, divulgado em Madrid, 25 e 26 deste mês, como anunciámos, analisa as condições de ensino em 34 países. A partir dos dados encontrados, a Comissão Europeia considerou que vem apontar “implicações preocupantes para o futuro do ensino enquanto carreira” e apelou à adoção de medidas que valorizem a profissão. Nele também se viu o sentimento generalizado de desvalorização social da carreira docente, que 36% dos inquiridos disseram trabalhar em escolas onde faltam docentes com as qualificações necessárias e que os docentes afirmaram que a área em que mais precisam de formação é a educação especial.

Portugal assinou a Declaração de Salamanca há 20 anos. Nela a escola inclusiva é o modelo que garante aos alunos com necessidades educativas especiais e/ou deficiência a necessária aprendizagem educativa e pedagógica. Mas o que vemos é que muitos alunos estão a ser socialmente segregados da escola, em particular os que atingem o ensino secundário, dada a deficiente afectação de recursos a estes alunos.

A juntar, o recente anúncio de renovação das regras para as crianças com dificuldades nas aprendizagens e as com “deficiência. O que poderá vir a ser bom, dado as grandes falhas da lei anterior.

 Aprender para melhor crescer é o que todas as crianças desejam. É o que deseja a sociedade, para que se possam integrar na sociedade, com qualificações e com sucesso pessoal, escolar e social. É esta a meta que devemos exigir.

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