O XATALÁRABE, UM RIO DO MÉDIO ORIENTE – por João Machado

Arvand-Rud_(Cro)
Obrigado a Orijentolog e à Commons Wikimedia

O mapa acima tem inscrições em croata. Mostra-nos a localização de um rio situado numa região palco de grandes conflitos ao longo da história, incluindo a época presente. Parte dele serve de fronteira entre o Irão e o Iraque. Resulta da confluência dos rios Tigre e Eufrates, que delimitam a região chamada Mesopotâmia, e desagua no Golfo Pérsico. Sobre a origem do seu nome, lê-se o seguinte no Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, Editorial Confluência, Volume I, págs. 402-403: “Chate Alárabe, top. Do fr. Chatt Al-Arab ou do ingl. Shatt-al-Arab, curso de água resultante da confluência do Tigre e do Eufrates. Qualquer daquelas formas estrangeiras do ár. xaTT al-‘arab, “o grande rio dos Árabes”. xaTT significa também: “costa, margem, praia, litoral”, “lago salgado”. Em port. seria preferível Xate Al-Árabe ou mesmo Xatalárabe (ver Parmentier, p. 17; Infl., II, p.258).” Os iranianos chamam-lhe Arvand Rud, nome que outrora davam ao Tigre.

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Mapa da Mesopotâmia, na época de Hammurabi. Observem como eram as linhas da costa e dos rios naquela época. Obrigado a MapMaster e à Wikipedia.

O assoreamento ao longo dos séculos fez com que a terra avançasse, formando um grande delta, conquistando espaço ao mar. O Tigre e o Eufrates encontram-se no local onde hoje fica a cidade iraquiana de Al-Qurná, formando o Xatalárabe, que percorre cerca de 200 quilómetros até desaguar no Golfo Pérsico. A largura varia de cerca de 230 metros, em Baçorá,  a segunda cidade do Iraque, até 800 metros na foz. Na sua margem esquerda, junto à cidade de Khorammshahr, desagua o Karun, um dos principais rios do Irão. Para além de Khorammshahr e Baçorá, outras cidades importantes como Fao, um porto de mar iraquiano, e Abadã, um importante centro petrolífero iraniano, ficam nas margens do Xatalárabe. Para além do comércio e da indústria, há a assinalar que na região existem as maiores plantações de palmeiras de tâmaras do mundo.

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Navios afundados pelos turcos no Xatalárabe durante a Primeira Guerra Mundial. Colecções dos Imperial War Museums. Obrigado a Wikimedia Commons e a Donald Maxwell. http://media.iwm.org.uk/iwm/mediaLib//178/media-178135/large.jpg

Na região do Xatalárabe têm ocorrido ao longo da história numerosos conflitos que inclusive têm posto em perigo a vida natural e o equilíbrio ecológico. Acima vemos uma imagem, com quase cem anos, que nos dá um exemplo concreto. Entretanto, nas guerras mais recentes, nomeadamente durante a guerra entre o Irão e o Iraque (1980 – 1988), foram desenvolvidas acções, como a secagem dos pântanos do delta, que causou grandes prejuízos aos palmares e a invasão de grande parte da bacia hidrográfica por água salgada.  Apesar dos esforços efectuados, ainda se está longe de uma recuperação mínima dos estragos havidos.

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Ver:

http://www.britannica.com/EBchecked/topic/31417/Shatt-Al-Arab

https://www.princeton.edu/~achaney/tmve/wiki100k/docs/Shatt_al-Arab.html

http://www.iranicaonline.org/articles/shatt-al-arab

http://www1.american.edu/ted/ice/iraniraq.htm

Click to access Chapter-05-Shatt-al-Arab-Karkheh-and-Karun-Rivers-web_0.pdf

http://www.ecodebate.com.br/2010/06/22/mais-petroleo-e-menos-agua-shatt-al-arab-vital-rio-do-iraque-esta-definhando/

 

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