É mais um número da revista sobre o poeta, jornalista e compositor Eugénio Tavares. Nesta
breve conversa, a directora da Artiletra, Larissa Rodrigues, fala-nos desta edição especial que foi apresentada ao público no dia 13 de Junho, na Praia. Esta entrevista foi realizada antes da apresentação, na manhã de 13 de Junho.
Porquê mais um número especial sobre Eugénio Tavares?
Mais uma etapa de investigação, novos dados e novos desafios. Não podemos privar os leitores de descobertas preciosas. Eugénio Tavares é sempre uma novidade, passados tantos anos. Artiletra desde 1993, no país e lá fora, que não se descansou na sua pesquisa sobre Eugénio Tavares. Há vinte anos, em 1994, publicamos o primeiro número especial dedicado ao poeta, jornalista e compositor.Hoje já temos o Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, cujo patrono é Eugénio Tavares, mas o imperativo maior é reforçar o estudo da vida e obra deste vulto (bem como de outros, sobretudo os do passado) na escola. Hoje [terça-feira] por coincidência é 10 de Junho, Dia de Camões e das Comunidades em Portugal. Nós sabemos o que os portugueses fizeram com Camões. Maravilhoso! Eugénio Tavares merecia ser tratado em Cabo Verde de outra forma. Não se deve homenagear alguém, como é o nosso forte, e ficar pela homenagem. Não… deve-se fazer um trabalho sério que justifique e honre a homenagem. Aqui a homenagem como que trata o resto… coisa muito estranha. Muitas vezes homenageia-se alguém em Cabo Verde e ele nem vem do estrangeiro, porque era cara a passagem, ou vice-versa, etc. Eugénio Tavares, repito, devia ter outro tratamento, sobretudo nas escolas, acho que as futuras gerações merecem conhecer melhor esta personalidade.Perguntou-me o porquê de mais um número especial sobre Eugénio Tavares. É simples. Estamos a três anos de 2017, dos cento e cinquenta anos do nascimento do poeta, jornalista e escritor Eugénio Tavares. Essa data – os cento e cinquenta anos do nascimento do poeta – devia ser comemorada por todo o país e por toda a diáspora. No centenário do nascimento de Eugénio Tavares apenas Angola se lembrou do poeta da Brava.
Quem é o público-alvo deste número?
Investigadores, professores, estudantes. E todos os que gostam de Eugénio Tavares, ele gostava de todos, todos que gostam da Verdade e do Belo.
O que vamos ter neste número especial?
Muita arte, muita luz, também de artistas plásticos, para quem Eugénio Tavares foi fonte de inspiração: o nosso colaborador de sempre, de primeira hora, António Firmino, a residir em Portugal e outubrista como Eugénio (possivelmente o artista plástico que mais o pintou) e também Idá Abreu, que vive na França, cuja pintura esculpida “Nhô Eugénio Tavares” toca, devora, provoca, surpreende, encanta.
Quem colabora neste número além destes artistas plásticos?
Colaboram neste número Ondina Ferreira, Ana Cordeiro, Francisco Fragoso, Jorge Trigo, Eugénio Tavares Sena, Graça Gomes de Pina, António Monteiro e Vadinho Velhinho. Estes com textos inéditos. Vários outros textos importantes, antigos e recentes, são republicados, bem como muitos poemas de Eugénio Tavares que não fazem parte de outras pesquisas já publicadas.
Que mais vamos ter neste número especial?
Fotos e dados sobre irmãos de Eugénio Tavares, a Certidão de Óbito da mãe do poeta com um pormenor curioso e sobretudo publicamos em primeira mão algumas páginas do alcance a que Eugénio Tavares chamou “O Fabuloso Alcance”. Eugénio Tavares só foi absolvido vinte e um anos depois. É importantíssimo este dossiê, mesmo importantíssimo. Conta como é que as coisas verdadeiramente se passaram. Lembra-se do alcance… foi por causa disso que Eugénio Tavares, para não ser preso, retirou-se para a América… e sabe lá na América o que fez Eugénio Tavares? Apareça no lançamento do número especial na sexta-feira, 13, e vai ficar a saber.
