SERÁ UM DESPERDÍCIO A PREOCUPAÇÃO COM TARTARUGAS EM CABO VERDE? por Clara Castilho

Existe a associação SOS- TARTARUGAS. Porquê? É que no “ Verão de 2007 duas pessoas muito preocupadas, Juan Blanco  e Jacquie Cozens, ficaram estupefactas com a chacina brutal e flagrante de tartarugas todas as noites nas praias da Ilha do Sal e decidiram ambos fazer alguma coisa contra isso.

Jacquie começou a andar pelas praias da parte leste da ilha todas as manhãs para contar ninhos e rastos e apanhar lixo; e, todas as noites, ia à praia num esforço para deter eventuais assassinos de tartarugas. Entretanto, Juan iniciou um projecto de incubadoras no exterior do centro de mergulho Scuba Caribe num esforço para salvar ovos de ninhos “em risco” (abaixo da marca da maré ou de tartarugas que tinham sido mortas).”

 sos tartarugas

“A organização é uma ONG reconhecida como parceiro na conservação das tartarugas pelo governo de Cabo Verde. Trabalha em colaboração com a DGA (Direcção Geral do Ambiente do Ministério do Ambiente), a Câmara Municipal, a rede Natura 2000 na Boavista, a WWF e as autoridades da Ilha do Sal.

São cinco as espécies de tartarugas marinhas que visitam Cabo Verde – Tartaruga verde, tartaruga de casco levantado, tartaruga parda, tartaruga olivácea e tartaruga vermelha. Todas estão em perigo. Embora sejam uma espécie protegida, não se tem feito o suficiente para as proteger quando vêm à praia pôr os ovos.

O governo na Ilha do Sal lidera o caminho usando soldados para patrulhar as praias mas nunca há fundos nem pessoas suficientes e muitas tartarugas continuam a ser mortas. Em conjunto com a WWF também levam a efeito algumas acções de sinalização, medição e monitorização dos ninhos, mas, até agora, ainda não foi possível fazer um recenseamento nacional e coordenado nem um programa de investigação.

As tartarugas são mortas da forma mais brutal pela sua carne. São viradas, as barbatanas arrancadas e depois arrastadas pela praia acima, para detrás das dunas, onde, ainda com vida, lhes retiram a carne. Os ovos são muitas vezes deixados para trás, espalhados. Nalgumas praias a mortalidade é de 100%. A maior ameaça, é o desenvolvimento massivo para satisfazer a procura de resorts turísticos e apartamentos.

Estão implementados vários projectos:

Protecção das Tartarugas e da Praia;   Conservação  e Ecoturismo.

No dia 4 de Julho  lançou  uma campanha na ilha do Sal, apelando à população para, durante o mês de julho, reduzir ao máximo a utilização de sacos de plástico, na  campanha “No Ca Crê Plástico” (“Não queremos plástico”) e incentivando  o uso de sacos de algodão, tendo já produzido mais de 8.000 bolsas alternativas em parceria com a Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD) cabo-verdiana.

Cabo Verde estabeleceu o ano de 2025 como meta para eliminar o plástico no arquipélago e deverá, ainda este ano, criar uma lei para regular a utilização dos sacos, feitos de materiais não biodegradáveis e que levam cerca de 500 anos a decompor.

 

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