Senta-te e lê com calma . poema de Adão Cruz

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Senta-te e lê com calma

Enquanto lês deixa pousar nos lábios o tal beijo pequenino

A partir de hoje somos donos de um segredo bonito

Se algum dia a chama-menina crescer ao sopro de um vento suave diz-me que eu saberei dar-lhe o tamanho da chama que acendi

Tu não és vulgar na tua cabeça e no teu peito bonito há imensas flores brancas adormecidas tu não és de letras nem de artes és de asas que anseiam por abrir-se não de asas que rastejam por aí tu és simples feita de natureza e ternura leve como a brisa da manhã és uma flor que nasceu “ao calhas” no meio da erva seca e precisa de ser regada com água pura e cristalina

Só eu sei tratar de flores assim por isso me deixei envolver no teu perfume de terra molhada

Contigo sonhei tudo te ensinei levei-te a Roma a comprar lindos vestidos fizemos amor numa noite cheia de luar

Ilustração – quadro de Adão Cruz

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