A EXPLOSÃO DOS DESEMPREGADOS “OCUPADOS” EM PORTUGAL E A DIMINUIÇÃO DO DESEMPREGO OFICIAL – por EUGÉNIO ROSA – II

(conclusão)

O CRESCIMENTO RÁPIDO DO NUMERO DE DESEMPREGADOS NA SITUAÇÃO DE “OCUPADOS” DESDE JANEIRO DE 2013

Vejamos agora qual tem sido a evolução no último ano do número de desempregados “ocupados”. O quadro 3 (dados do IEFP), mostra o que aconteceu entre Jan.2013/Abril.2014.

desempregooficial - III

Entre Jan.2013 e Abril.2014, o número de desempregados na situação de “ocupados” aumentou de 78.679 para 169.408. Em valor absoluto cresceu em 90.729, e em percentagem subiu 115,3% Assim, se se excluir dos números oficiais de desemprego os desempregados que estão na situação de “ocupados”, e aumentando o número destes, consegue-se baixar artificialmente o desemprego oficial. Para que o leitor fique com uma ideia ainda mais clara do impacto que poderia ter na taxa de desemprego oficial observe o quadro 4, onde consta a taxa de desemprego do INE e a que se obtém incluindo os desempregados que estão na situação de “ocupados”.

desempregooficial - IV

Como mostra o quadro, se incluirmos os desempregados “ocupados” a taxa de desemprego no lugar de diminuir, como acontece com a taxa oficial, até aumenta nos últimos 3 trimestres e é superior à oficial: 3ºTrim.2013: 17,7%; 4ºTrim.2013: 18%; 1ºTrim.2014: 18,2%. Se juntarmos a isto a emigração em massa de portugueses na idade mais ativa por não encontrarem emprego em Portugal (só no 1ºTrim.2014 emigraram 61,7 mil com idade até aos 34 anos), é fácil de compreender por que razão o desemprego oficial diminuiu. Por esta razão colocamos diretamente esta questão ao INE. E a resposta que obtivemos foi a seguinte: (1) Os desempregados que estejam em Contratos Emprego Inserção (CEI) e Contratos Emprego Inserção+ (antigos POC) promovidos pelo IEFP são considerados como empregados; (2) Os estagiários são também considerados como empregados (talvez seja por isso que o governo pretende diminuir o período de estágio de 12 meses para 9 meses, pois assim aumenta o seu número); (3) Os desempregados que estejam em ações de formação profissional são considerados como desempregados ou inativos consoante o cumprimento dos critérios associados a cada conceito (por ex., se não tiverem procurado emprego no período de referência do inquérito, ou não estiverem disponíveis para começar a trabalhar imediatamente não são considerados desempregados). Desta forma, transformam-se desempregados em empregados, ou desempregados deixam de ser considerados desempregados. E assim se reduz o desemprego oficial.                                               

 

Eugénio Rosa – edr2@netcabo.pt – 2.6.2014

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Para ler a primeira parte deste trabalho de Eugénio Rosa, publicada ontem em a Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2014/07/07/a-explosao-dos-desempregados-ocupados-em-portugal-e-a-diminuicao-do-desemprego-oficial-por-eugenio-rosa-i/

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