MUNDO CÃO – “Um judeu é uma alma, um árabe é um filho da puta”… – por José Goulão

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Transcrito de Jornalistas sem Fronteiras, com autorização expressa do autor e editor 

 

 

Grupos de assalto sionistas-fascistas, ou siofascistas, movem-se livremente através de Jerusalém ocupada e de cidades israelitas numa “caça aos árabes”, controlando táxis, insultando israelitas anti-racistas. “Um judeu é uma alma, um árabe é um filho da puta”, ouve-se neste vídeo que Ronnie Barkan fez chegar ao Comité EuroPalestine e a circular em Portugal através do Comité Palestina. É um ambiente de pogrom no país que se considera a si mesmo renascido do Holocausto.
Não se trata de um fenómeno de hoje, nem de ontem. É a expressão do siofascismo, o fascismo sionista, xenófobo e racista que sustenta a ocupação e colonização da Palestina perante a complacência mundial. Um siofascismo que está presente no governo israelita chefiado por Benjamin Netanyahu. Um siofascismo que pretende ser regime e, pelos caminhos actuais do Médio Oriente, não tardará a sê-lo.
Estes gritos de “morte aos árabes”, “morte aos esquerdistas”, os escritos “arab raus” nas paredes das cidades de Israel, os insultos baixos que atingem milhão e meio de seres humanos que têm nacionalidade israelita e não são judeus, não são apenas destes dias.
Neste ambiente deu-se, no domingo, o assassínio do jovem palestiniano Mohamed Abu Jadair, queimado vivo por uma turba com um comportamento afim.
Porém, este é o mesmo ambiente que em 1994/1995 conduziu ao assassínio do primeiro ministro israelita e Isaac Rabin e, a partir daí, à instauração do regime de Netanyahu/Sharon/Barak e à mentalidade dominante e expansionista do “Grande Israel”.
São grupos de assalto actuantes em Jerusalém do mesmo modo que os seus gémeos atacam em Odessa, Slaviansk e outras cidades ucranianas, ou contra os sem-abrigo em Londres, Paris e Budapeste, contra imigrantes em cidades italianas ou norte-americanas, contra ciganos em França, na República Checa, Eslováquia e Roménia – um fenómeno único que só os que não querem ver e desejam esconder podem admitir ter origens diferentes num mundo globalizado como o actual.
Nos escombros do muro de Berlim nasceu o muro de separação em Israel, renascem as “naturezas puras” e xenófobas no Leste da Europa, abre-se a caixa de Pandora das fronteiras coloniais traçadas a regra e esquadro, há século e século e meio, pelos velhos colonialismos.
O novíssimo colonialismo engendrado pelo sistema mundial de governação serve-se dos grandes exércitos, mas também de grupos de assalto como estes ou sob outras formas de fundamentalismo religioso, político e económico. O chapéu é único: “terrorismo”.

José Goulão

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