EDITORIAL – O horror entrou na rotina

 Imagem2A situação na     Palestina continua a agravar-se. Os mísseis do Hamas atingem  pontos nunca alcançados de Israel, mais de 100 quilómetros para norte da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Estado de Israel. Ontem, Haifa foi atingida. Israel prossegue a sua política de ripostar com violência brutal. Durante a noite passada bombardeou mais de 300 objectivos, elevando para mais de seis dezenas o número de mortos entre a população civil palestiniana.

Está quase a completar um século a Declaração de Balfour, uma carta que Arthur Balfour, responsável pela diplomacia britânica enviou no dia 2 de Novembro de 1917 ao barão Rothschild, chefe da comunidade judaica em Inglaterra e também dirigida à Federação Sionista inglesa. Um crime sob a forma epistolar que, quase cem anos depois, se traduz num saldo de muitos milhares de mortos, destruição e indizível sofrimento. Dizia o documento: O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a concretização desse objectivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.

Revelando a irresponsabilidade e desprezo pelas posições e interesses alheios que caracteriza as potências mundiais, a Grã-Bretanha, com o objectivo de enfraquecer o Império Otomano, ou seja para resolver um problema seu, criava um problema que não tem cessado de se complicar. Um erro diplomático britânico criou um estado artificial, baseado numa lenda sem qualquer consistência histórica. Nada do que se diz no Velho Testamento tem suporte científico – uma história da carochinha desencadeia uma catástrofe que pode ainda agrava-se. O Estados Unidos que herdaram o testemunho que as mãos trémulas de uma senil Grã-Bretanha lhes passou, mantêm a fraude.

E o horror entrou na rotina. Por estes dias, no inferno da Palestina e em Israel quando se ouvem vozes gritando, tanto pode ser um projéctil que atingiu civis, como júbilo ou surpresa por um golo marcado num jogo do Mundial.

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