VHILS – DISSECTION – no MUSEU DA ELECTRICIDADE – por Clara Castilho

Vhils está dentro de um museu, quase me apetecia dizer “enclausurado”. É a primeira vez num museu em Portugal. Antes, só algumas das suas obras nas paredes e o que podíamos ver e ler na internet.  Ao longo de três meses, o Museu da Eletricidade exibe a obra do mais famoso “street artist” nacional.

Já aqui antes tínhamos escrito sobre este artista:

http://aviagemdosargonautas.net/?s=%E2%80%9CLISBOA%2C+LIMPA+POR+FORA%2C+PODRE+POR+DENTRO%E2%80%9D+%E2%80%93+COMO+A+V%C3%8A+O+ARTISTA+VHILS+por+clara+castilho

Lê-se no site do Museu: “Esta exposição tem o nome de Dissecção e apresenta um corpo de trabalho inteiramente novo concebido especificamente para o espaço, exterior e interior, do museu.

vhils

Em Dissecção, Vhils apresenta obras inéditas de grande dimensão, criadas especificamente para este projeto, que problematizam a memória coletiva das cidades, a vertigem das suas imagens, as histórias dos seus habitantes.

Apresentando-se como uma reflexão em profundidade sobre o espaço urbano em interação com os seus habitantes,  Dissecção toma como ponto de partida vários dos elementos intrínsecos a esse espaço. A intenção do artista é estabelecer, através dos vários ambientes, criados expressamente no espaço do Museu, um percurso que permite vivenciar a passagem de uma dimensão de ruído, caos e saturação visual – que exprime a vida nas cidades contemporâneas – para um cenário neutro. Vhils propõe-se fazer uma dissecção metódica de elementos urbanos familiares com recurso a vários suportes não convencionais e técnicas destrutivas que tem vindo a explorar no seu trabalho.

De reconhecimento recente, mas já solicitado para intervenções em todo o mundo, Vhils não se limita a usar os muros da cidade como suporte ou a transferir mecanicamente as soluções plásticas do exterior para as telas, revelando grande capacidade global de intervenção e invenção de espaços e meios.

Alexandre Farto (1987), que também assina como Vhils, tem desenvolvido uma linguagem visual única com base numa estética do vandalismo derivada do seu background na pintura de graffiti.

Trabalha a remoção das camadas superficiais de paredes e outros suportes com ferramentas e técnicas não convencionais, estabelecendo reflexões simbólicas sobre a vivência no contexto urbano, a passagem do tempo e a relação de interdependência entre pessoas e meio. A sua inovadora técnica de escavação tem sido aclamada pela crítica. Desde 2005 tem apresentado o seu trabalho à volta do mundo em exposições individuais e coletivas, eventos e instituições, e intervenções site specific. Tem participado em alguns dos mais prestigiados projetos contemporâneos de arte urbana”. Todo o processo de montagem da exposição pode ser visto em : http://www.vhilsfundacaoedp.com/

Esta exposição vem publicitado no Euronews. Numa parede está um mapa do mundo onde estão assinaladas todas as cidades em que deixou a sua marca. Impressionante! Quem sabe durante quanto tempo essas “obras” escaparão à erosão do tempo, ou às mãos dos homens que as não apreciem.

Numa outra parede está “escrito”, à sua maneira, deixando os vestígios da parede no chão, a palavra “RESTITUIR”. Mas sobre isso falarei noutra altura.

 

 

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