CONTOS & CRÓNICAS – A reencarnação de Luís de Camões (ou o desacerto de uma parelha) -II – por Manuela Degerine

 

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Saunders é um médico muito reputado mas com um passado turvo. Encontra-se em Takana, no arquipélago malaio, aonde se deslocou para operar um negociante rico; precisa de apanhar o único barco que ali faz escala para iniciar um regresso, que durará mais de dois meses, à cidade de Fuzhou, na China, onde reside, todavia a espera é longa, para além de indeterminada, não menos de três semanas e, concluída a operação com sucesso, nada lhe resta para fazer. Vai lendo, vai fumando ópio, vai tratando alguns nativos… A estadia em Takana parece-lhe interminável por isso, quando um capitão inglês (Nichols) e o seu passageiro australiano (Fred Black) fazem escala na ilha, Saunders consegue convencê-los a levá-lo para um lugar onde passem mais barcos. Nichols é um evidente vigarista, capaz das piores malfeitorias, mas revela-se um grande marinheiro. Fred Black anda fugido à justiça, mas não deixa de ser atraente. Após uma tempestade durante a qual o capitão salva o barco com os passageiros, chegam à cidade de Kanda (no arquipélago de Kanda-Meira) de onde Saunders poderá seguir para Bali num navio holandês. Black e Nichols projetavam comprar um salva-vidas e despedir-se do médico, contudo acabam por se demorar pois, logo à chegada, conhecem um jovem dinamarquês (Eric Christessen) que lhes mostra a ilha e os leva a casa de outro inglês (Frith) que vive com a filha (Louise) na plantação do sogro (Jack Swan). Ora Frith passou vinte anos a estudar as filosofias orientais e projeta escrever um livro sobre esta matéria – mas só quando tiver tempo. É o diálogo entre Frith e Saunders que agora nos interessa.

(Continua.)

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