VAMOS BEBER UM CAFÉ? – 15 –  por José Brandão

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DO BOTEQUIM AO CAFÉ (PEQUENA HISTÓRIA DOS GRANDES CAFÉS DE LISBOA – cont.)

 

DO CAFÉ DO GREGO NO CAIS DO SODRÉ À BRASILEIRA DO CHIADO

café - XXIV

Em princípios do século XIX, quando uma dose de café custava 30 reis e não sabia a mais do que uma mistura de várias mistelas, onde havia de tudo menos quantidade suficiente de grão de café, existia á esquina do Largo do Cais do Sodré e da Rua Larga da Ribeira das Naus (hoje rua Bernardino Costa), o Café do Grego que figurava entre os estabelecimentos de Lisboa mais vigiados pela polícia. Em boa verdade caso não era para menos, já que o dono, Angiolo Cariagiotti – italiano, claro – fizera do seu café um verdadeiro clube revolucionário e continuava com gente dentro da loja depois da porta fechada, ainda por cima tendo grande freguesia de estrangeiros dados a propaganda de ideias atrevidas. Angiolo aparece na lista dos jacobinos denunciados á policia em 1809 e depois de preso é expulso para fora do Reino embarcando para Itália, mas em 1810 volta a ser visto em Lisboa e volta a ser preso e novamente metido com a família a bordo de um barco. A passar pelo mesmo ficaria o novo dono do Café do Grego, Filipe Jarnardini (italiano), preso também em 1810, metido no segredo da cadeia da corte, e embarcado para a Ilha Terceira. Os motivos eram sempre os mesmos: O café do Cais do Sodré continuava a ser um ponto onde se discutia política a mais.

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