Este estudo foi realizado no âmbito do projecto Quebrar Barreiras – Envelhecer Segundo uma Perspectiva de Igualdade de Género implementado pela UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta. Resulta de uma candidatura ao POPH – Programa Operacional Potencial Humano do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional (2007-2013) através da tipologia de intervenção 9.7.3. Apoio técnico e financeiro às organizações não governamentais. Neste sentido, o projecto QB é co-financiado pelo POPH/QREN, Governo da República Portuguesa e Fundo Social Europeu, com a CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) como organismo intermédio.
Teve como objectivos:
– Levantamento das dificuldades sentidas pelas/os profissionais da área da gerontologia quando se deparam com situações de violência doméstica;
– Compreender como actuam estas/es profissionais no combate ao crime de violência doméstica perpetrado contra pessoas idosas;
– Identificar quais os recursos que as/os profissionais conhecem no combate a este crime e aos quais maioritariamente recorrem;
– Qual a percepção e formação das/os profissionais em matéria de violência doméstica
A metodologia aplicada foi:
– Aplicação de um inquérito por questionário de carácter individual, com 33 perguntas
– Preenchimento do inquérito por questionário via online ou em suporte papel
– O estudo foi divulgado pelas redes parceiras via email e via postal
– Aplicação do questionário de forma massiva em três concelhos: Almada, Seixal e Lisboa.
Dos 255 questionários considerados válidos, 97 profissionais inquiridas/os afirmaram já ter tido conhecimento de pelo menos uma situação de violência doméstica contra pessoas idosas.
Após a análise destes 97 inquéritos verificou-se que 88% das/os inquiridas/os afirmam que as vítimas são na maioria mulheres e 62% afirmam que os agressores são na maioria homens.
Por sua vez, as relações abusivas mais identificadas foram Marido (agressor) – Esposa (vítima) e Filho (agressor) – Mãe (vítima). “Conversas com a pessoa idosa” foi a forma mais identificada pelas/os profissionais de como perceberam estar perante uma situação de violência doméstica. Contudo, mais de metade das/os inquiridas/os que afirmaram já ter detectado uma situação de violência doméstica contra pessoas idosas, afirmam igualmente sentirem obstáculos nessa identificação sendo a principal razão identificada a negação do crime por parte da pessoa idosa.
Ainda no âmbito deste estudo, constatou-se que as/os profissionais reconhecem as forças de segurança como um recurso essencial na denúncia e combate ao crime de violência doméstica, no entanto, reportam, quase sempre as situações, em primeiro lugar, à/ao sua/seu superior hierárquica/o e recorrem às forças de segurança quase sempre em última instância.
Quanto à percepção e formação das/os profissionais o estudo concluiu, ainda de forma preliminar, que 73% das pessoas inquiridas afirmam que ao detectar-se uma situação de violência doméstica deve-se sempre denunciar, mesmo contra a vontade da vítima contrariamente às 24% que afirmam apenas em alguns casos se deve denunciar.
Ao nível da formação das/os profissionais que directamente trabalham e prestam serviços às pessoas idosas, 91% das/os inquiridas/os afirmam nunca terem frequentado acções de formação ou workshops especializados na área da violência doméstica.