GRAÇAS A VHILS UM “DESALOJADO” DE FAVELA PODE DIZER: “EU NÃO MUDEI, EU CONTINUO AQUI NO MURO” por clara castilho

9349741_b7nUlPartamos do vídeo inserido na exposição de Vhils, “Dissection”, sobre a sua intervenção artística no Morro da Providência (Rio de Janeiro), que foi o primeiro espaço a ter a denominação de “favela”.

 O artista português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, vem

Vhils tornou-se pioneiro na técnica de “escavar superfícies” e hoje é mundialmente famoso por estampar imagens -­ a maioria de rostos desconhecidos com grandes dimensões – com uso de martelo, espátula, cinzel e, até mesmo, explosivos sobre superfícies, seja quebrando ou raspando muros, portas e cartazes publicitários. Dentro desta perspectiva, seu lema principal é “construir destruindo”, ou ainda transformar o ato destrutivo em força criativa para exaltar a “arqueologia”  da cidade a partir do contraste entre o velho e o novo. Fá-lo nas mais diversas culturas.

No Morro da Providência, ao longo de um mês ele cravou 7 rostos de moradores do morro e região, em Setembro e Outubro de 2012.Ao fazê-lo, criou uma representação simbólica de suas vidas, de modo a preservar a memória individual e colectiva dos moradores e da comunidade: “Cravou-se a história no que dela resta.”

Na altura foi dita que esta intervenção “pretende prestar uma homenagem ao forte espírito comunitário que caracteriza a vida no Morro da Providência, através da representação de alguns de seus moradores” , num projecto de intervenção chamado “Descascando a superfície” . Depois do convite do director de produção Laércio Costa, Vihls e sua equipe foram guiados por Maurício Hora durante cerca de um mês, conhecendo moradores, ouvindo e recolhendo suas histórias, partilhando suas memórias, sonhos e preocupações. Ao final foram escolhidas cinco pessoas, cujas habitações já tinham sido demolidas ou marcadas para serem removidas pelo programa Morar Carioca.

O processo de criação começou com uma fotografia e entrevista a uma pessoa que vivia Estas casas estavam a ser demolidas na favela, num processo de “limpeza urbana” para o Mundial de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

Como se vê no vídeo, ideia é a de dar voz e presença às pessoas que fazem parte daquele meio e reflectir as suas opiniões. Pata além deste documentário irá ser realizado um livro que será editado no final deste projecto.

Direção : João Pedro Moreira
Realização: 78 Rotações e VHILS Studio
Patrocíncio: Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro

 

Leave a Reply