EDITORIAL – OS MIGUELISTAS VENCERAM

logo editorialSe perguntarmos a um portuense pela Constituição, ele muito provavelmente, dirá – “Ora bem, se vem da Carlos Malheiro Dias…». Se, em Lisboa, falarmos em 24 de Julho, perguntarão se queremos ir para mais perto do Cais do Sodré ou de Alcântara. O destino das datas que são referência na História é, na melhor das hipóteses,  converterem-se em topónimos. E. no entanto, em 24 de Julho de 1833 jogou-se uma cartada decisiva na luta entre liberais e absolutistas, numa guerra civil que enlutava o país desde 1828. Depois de terem derrotado os miguelistas na Cova da Piedade, as tropas liberais, sob o comando do duque da Terceira, atravessaram o Tejo e entraram em Lisboa, dando um passo decisivo na vitória do constitucionalismo. O espírito reaccionário, as ideias rançosas, pareciam ter sido erradicadas.

No editorial de há um ano, a propósito desta efeméride, assinalávamos a remodelação com que Passos Coelho tentava remendar um executivo lamentável e comentávamos a responsabilidade que o presidente da República tem na sua manutenção, pois escudando-se atrás da Constituição, diz que esta não lhe permite demitir o bando de irresponsáveis que assaltou o poder (mas permitiu que sabotasse Sócrates…). A Constituição já não é a de 1826 e que foi o principal motivo para uma guerra que, de 1828 a 1834, ensanguentou o país. De data em data, o espírito liberal triunfou novamente em 1910 – o que levou Carlos Malheiro Dias, escritor, historiador e jornalista, a exilar-se, só regressando quando a «normalidade» foi reposta por Salazar. E  25 de Abril?

Numa qualquer vila portuguesa, o interlocutor a quem de chofre enunciarmos a data, poderá dizer: – «Ora bem… Está a ver a cabina telefónica? Vira à esquerda, segue tudo a direito e quando chegar ao largo do coreto, está na Praça 25 de Abril. Não tem nada que enganar».

 

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