O LORD, de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

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O LORD, de MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

 

1890 - 1916
1890 – 1916

Lord que eu fui de Escócias de outra vida

Hoje arrasta por esta a sua decadência

Sem brilho e equipagens.

Milord reduzido a viver de imagens,

Pára às montras de jóias de opulência

Num desejo brumoso – em dúvida iludida…

( – Por isso a minha raiva mal contida,

– Por isso a minha eterna impaciência).

 

 

 

Olha as Praças, rodeia-as…

Quem sabe se ele outrora

Teve Praças, como esta, e palácios e colunas –

Longas terras, quintas cheias,

Iates pelo mar fora,

Montanhas e lagos, florestas e dunas…

 

 

 

(- Por isso a sensação em mim fincada há tanto

Dum grande património algures haver perdido;

Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido –

E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto…).

 

 

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