BISCATES – Palestina: Limpeza étnica.- por Carlos de Matos Gomes

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“Os Hotus serão expulsos para dar liberdade aos Tutsis”

Limpeza étnica é a remoção ou eliminação de determinados gruposétnicos numa região! (Dos dicionários)

A política do estado judaico de Israel é de limpeza étnica de palestinianos. É um objectivo permanente do estado de Israel.

A limpeza étnica é essencial para o estado judaico para obter a unidade nacional baseada na unidade religiosa e étnica.

A limpeza étnica é uma política utilizada de há muito pelos Estados momentaneamente mais fortes na fase de ocupação. Foi assim com os espanhóis de Cortês na América Latina – eliminação de Azetecas, Incas – , foi assim com os ingleses na América, foi assim na Arménia, com os nazis que limparam judeus em Praga, em Varsóvia, foi assim em determinadas zonas da URSS, foi assim na Bósnia, na Sérvia, na Somália, no Mali, no Niger…

A limpeza étnica dos palestinianos – isto é dos semitas de religião muçulmana na Palestina, pelos semitas de religião judaica tem por fim permitir a estes constituírem um estado unicitárioem que a base cultural é a religião.

As justificações dos dirigentes do estado judaico de que estão a defender-se de um grupo mau – o Hamas – é uma rematada mentira. Agora os maus são o Hamas, mas já foram a Fatah e já foram a FPLP (Frente Popular de Libertação da Palestina). Nós, os portugueses, temos alguma experiencia nestas justificações em que um ocupante acusa os ocupados de terrorismo por resistirem à ocupação: foi assim com as campanhas “de pacificação” em África ena guerra colonial.À nossa escala também fizemos limpezas étnicas – em Wyriamu, por exemplo. A única justificação séria para a limpeza étnica é a lei do mais forte: Rua! (se saírem com os pés para a frente tanto melhor).

A única justificação para a limpeza étnica é que os palestinianos muçulmanos não são judeus. Todo o palestiniano é inimigo e tem de ser eliminado porque a sua existência coloca em causa o objectivo de dotar o estado judaico de Israel de poder total.

Hitler justificou a eliminação dos judeus pelo mesmo motivo e com várias razões. Razões fáceis de encontrar: de umas vezes porque açambarcavam o dinheiro, de outras porque tinham uma cultura decadente, de outra porque não respeitavam os símbolos nazis… de outra porque se vestiam de uma forma esquisita, de outras porque eram pacifistas… enfim, havia, tal como hoje para os dirigentes judaicos sempre uma razão.Na Alemanha nazi, os judeus, como os comunistas, como os ciganos contrariavam o conceito de Estado etnicamente totalitário que era o objectivo pretendido.

Na Palestina do que se trata é de uma limpeza étnica para instaurar um Estado totalitário – em que só os fiéis judeus têm direito de cidadania, em que só os judeus têm direito à vida, no sentido absoluto.

O que está em causa em mais esta acção dos dirigentes do Estado de Israel é a limpeza étnica dos palestinianos para a implantação de um estado totalitário judaico na Palestina, limpo de palestinianos.

A limpeza étnica dos palestinianos que está em curso desde a constituição do Estado de Israel serve a todos os atores políticos. Aos grandes atores mundiais e aos pequenos atores regionais. Serve, obviamente aos EUA, que passam a ter Israel liberto do mau nome que as chacinas cíclicas dão.

Eliminados os palestinianos, o estado de Israel fica completamente disponível para realizar o seu trabalho de agente conflitual na região, para destabilizar o Irão, o Iraque, a Síria, o Egito, consoante for necessário. Um estado de Israel unicitário, étnica e religiosamente totalitário serve pela mesma razão à Turquia, o grande aliado regional dos EUA, que pretende fazer exactamente o mesmo no seu território. Serve à Jordânia, que fica liberta de mais refugiados palestinianos. Serve de um modo geral às ditaduras monárquicas do petróleo, que querem para si exatamente o mesmo que Israel: uma ditadura religiosa universalmente aceite. Serve à Rússia (branca) que fica de mãos livres para a atuar sem críticas nas suas repúblicas islâmicas e que tem um local de destino para enviar os seus indesejáveis judeus.

O que estamos a assistir é a um progrom a céu aberto e diante dos nossos olhos. A mais um. A Europa está habituada a lidar com progroms. Daí que a UE se mantenha muda e queda. A Alemanha é uma especialista. A Grã Bretanha é uma das mães do Estado de Israel. Calhou agora serem os judeus a realizarem um progrom sobre os habitantes da Palestina. Azar deles, dos palestinianos, que são para serem eliminados sem apelo nem agravo.

É evidente que não pode ser tudo ao mesmo tempo, mesmo os nazis alemães não meteram os judeus todos ao mesmo tempo nos fornos. Vai aos poucos, mas o caminho está traçado.

As viagens doactual secretário de Estado dos EUA à Palestina são pura hipocrisia, são areia para os olhos. Os secretários de estado americanos viajam regularmente para Israel nestas circunstâncias. É um número habitual. As visitas servem para ir ganhando tempo para cumprir mais uma etapa. Palavras e frases como “acordo de paz”, “cessar fogo”, “intermediação”, “resoluções da ONU”, são apenas palavras e frases para esconder a verdade: os palestinianos – isto é o semitas muçulmanos da Palestina – têm de desaparecer do espaço do Estado de Israel!

Aos palestinianos irá acontecer o mesmo que aos aztecas, aos sioux, aos arménios… vão desaparecer… deles e dos seus descendentes ficará um ódio latente…

Os judeus de Israel sabem muito bem o que os palestinianos são: exactamente aquilo que eles foram para os nazis: uma sub-espécie humana. Sabem muito bem como lidar com essa situação: eliminá-los como lixo incómodo.

Os dirigentes do Estado de Israel não são particularmente perversos. São políticos normais que se entendem portadores de uma ideia messiânica de salvação. Fazem o que ao longo da história muitos outros fizeram quando tiveram poder total. Fazem o que fizeram os dominicanos do Santo Ofício, os conquistadores espanhóis, o novo califa de Bagdade (um criação da Mossad), ou o BokoHaram que raptou as jovens da Nigéria entre outros para impor a lei islâmica. A única perversidade está no choradinho dos dirigentes do Estado de Israel – somos os herdeiros dos desgraçados que sofreram a Inquisição e o holocausto – para justificarem a limpeza dos palestinianos.

Todas as justificações são boas para eliminar palestinianos. Até a de que um hospital da ONU tinha dois tubos lançadores de foguete, que a propaganda israelita passa para a opinião pública como se fossem as armas de destruição massiça de Saddam Hussein!

É escusado arranjar mentiras piedosas. Azar da História. Nos anos 30 não se podia ser judeu na Alemanha. Agora não se pode ser palestiniano na Palestina.

Carlos de Matos Gomes

2 Comments

  1. Com todo o respeito pela pessoa do senhor coronel Matos Gomes, o massacre de Wyriamu não teve nada a ver com «limpeza étnica»… Aliás, se nos referirmos a exemplos africanos, nem o regime de «apartheid» dos Africanderes procurou fazer «limpeza étnica»…Como assinala Magubane em «The Making of a Racist State» os «negros não foram exterminados porque eram economicamente úteis e necessários.

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