Notas sobre a minha desilusão acerca da política, da crise na economia, na política e na ética
Introdução ao texto sobre a exploração da energia, sobre a Ucrânia que apresentamos a seguir
Parte II
(conclusão)
…
Uma explicação para o que se está a passar seria a de que talvez se possa imaginar que Obama esteja externamente prisoneiro de um sistema tipo Deep State, sistema este que passamos a descrever:
Por Deep State[1] entende-se :
O termo Deep State, “estado profundo”, foi inventado na Turquia e é dito considerar um sistema composto de elementos de nível elevado dentro dos serviços secretos de um país, das suas forças armadas, das suas forças de segurança, das suas forças judiciais e das organizações destinadas a “combater” o crime organizado.
O Deep State é uma associação híbrida dos elementos altamente posicionados na Administração e de componentes da alta finança e da indústria que pode eficazmente governar a nação sem nenhuma referência ao consentimento dos governados como se determina com o processo político formal.
Eu descrevo o Deep State americano como o National Security State que permite uma estrutura imperial vasta que incorpora diversos poderes, desde o mais duro ao menos duro – poder militar, diplomático, serviços secretos, finança, comercial, energia, os media mais importantes, figuras dominantes no ensino superior—a constituírem um sistema de dominação e de influência globais.
Uma característica chave do Deep State é que este toma decisões à porta fechada e que o governo, a servir de interface para a população, ratifica e executa as decisões.”
E já agora quais seriam os objectivos do Deep State na Ucrânia? Segundo o autor da ideia de Deep State seriam:
“As duas respostas imediatas são :
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Frustrar as ambições de Moscovo para dominar a Eurasia. A análise estratégica utilizada é a teoria Mundo-ilha de MacKinder que tem sido alterada forte e subsequentemente modificada pela economia moderna dos combustíveis dos hidrocarboneto: O pivô geográfico da História.
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Continue a melhorar a posição da União Europeia na Europa Central no que diz respeito aos seus abastecimentos de combustível derivado dos hidrocarbonetos. Os neoconservadores estavam já profundamente preocupados com o crescimento da dependência da OTAN relativamente à Gazprom e nos pipe-lines orientais em meados dos anos de 1980 S. Isto esteve nos seus radares durante décadas.
O objectivo total é o de querer destruir a capacidade de Putin de determinar os preços marginais de gás natural na Europa. Se os pipe-lines sob os mares do Báltico e sobre o Mar Negro são assim praticáveis também o são os pipe-lines sob o mar Mediterrâneo do Norte de África para a França, e do Mediterrâneo Oriental e Mar Egeu para a Grécia e para a Europa a sudeste. Adicione alguns terminais LPG e as operações europeias sobre o gás do xisto ficam conseguidas.
Pode haver um terceiro objectivo com a tentativa de estabelecer um exemplo para os oponentes domésticos ao regime russo, que existem em grande número. Eu penso que é mais provável que o Russian Federation’s Deep State encontre primeiro um outro líder.”
E se assim for, como aqui se explica, percebemos então a afirmação do editorial do Washington Post de que Obama não pode ser responsabilizado pelos erros da política externa americana.
E se for assim percebe-se bem que a guerra na Ucrânia seja altamente conveniente ao Ocidente.
E se assim for, ganha então sentido, muito sentido o texto de Zero Hedge que aqui editamos.
Mas entretanto há que fazer render a favor do Ocidente o crime monstruoso que constitui o abate do avião malaio, e fazem-no render bem, como se explica no texto de Zero Hedge. E na sequência de tudo isto há ainda quem pense numa provocação ocidental não muito diferente das armas de destruição massiva que Blair descobriu no Iraque. Para o povo iraquiano contam-se em muitos milhares os mortos que dessa mentira resultaram, enquanto na conta bancária de Blair se contam os milhões de dólares ganhos. E na Ucrânia, como vai ser?
E se assim for, ganha sentido as posições defendidas por Paul Craig Roberts expostas nos textos por nós publicados. Refira-se que Craigs é um dos economistas americanos mais sérios que conheço e pessoalmente considero-o um dos mais lúcidos críticos da situação de crise que se vive hoje à escala mundial.
Vem esta conversa a propósito do texto que se segue, um texto do site Zero Hedge, um de um dos mais sérios blogs americanos. Um texto que francamente recomendo.
Coimbra, 28 de Julho de 2014.
Júlio Marques Mota
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[1] Veja-se o extenso artigo de Charles Hugh Smith Ukraine: A Deep State Analysis, texto disponível em: http://www.oftwominds.com/blogfeb14/Ukraine2-14.html. Sugere-se uma ida ao blog de Charles Hugh Smith cujo endereço é: http://www.oftwominds.com/blog.html
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Para ler a Parte I desta introdução de Júlio Marques Mota ao artigo de Tyler Durden, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:


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