NOTAS SOBRE A MINHA DESILUSÃO ACERCA DA POLÍTICA, DA CRISE NA ECONOMIA, NA POLÍTICA E NA ÉTICA – por JÚLIO MARQUES MOTA

Falareconomia1

Notas sobre a minha desilusão acerca da política, da crise na economia, na política e  na ética

Introdução ao texto sobre a exploração da energia, sobre a Ucrânia que apresentamos a seguir

 Parte I

Escrever sobre a Ucrânia é para mim muito penoso. Porquê? Porque face a tudo o que li sobre a crise aberta que retoma os tempos da guerra fria, tenho que me interrogar onde acaba a ignorância, onde recomeça a maldade, a ganância, o  servilismo aos interesses já não se sabe bem de quem, de que dão mostras os nossos dirigentes europeus.  Verdadeiros cães pitbull é o que podemos dizer de alguns destes dirigentes, os dirigentes que comandam as forças nazis na Ucrânia, de outros poderemos dizer que são  verdadeiros cachorros servis a Washington, como Cameron, como Durão Barroso, enquanto há uns tantos mais, como os “miúdos” nazis, que são verdadeiros loucos, loucos a sonharem nas guerras de Hitler renovadas. Mas nisto há ainda uma personagem  que não me  enquadra nesta moldura: Barack Obama.

O Presidente Barack Obama era para mim um homem acima de toda a suspeita, alguém que se batia tenazmente contra os Tea Party lá do sítio, alguém que se esforçava e muito por levar o seu país a bom porto e por seu país, por seu povo,  entendemos  toda a população  americana com exclusão dos  10 % mais ricos. E com isto não se trata de uma influência de Piketty. Simplesmente aparece a Ukrânia  e chegamos à conclusão que Obama em política externa  não se distingue dos falcões anteriores,  que dominaram a cena internacional de uma forma extremamente belicista. Fica-se com a ideia de que ele é, em política externa e em termos de democracia o que François Hollande é para a Europa, um NULO, um homem captivo dos generais da NSA como Hollande está captivo dos mercados de capitais. Ainda me lembro da conversa gravada entre Victória Nuland  e o seu embaixador Pyatt, em que esta estipulava o governo que queria ver aparecer na sequência do golpe de Estado em Kiev, ainda me lembro de Obama defender os nazis que ocupavam Kiev como sendo os democratas. Morreram centenas de pessoas na praça Maiden e nunca vi o democrata Obama pedir um inquérito rigoroso sobre os responsáveis de então, sobre os snipers que mataram sem quartel, civis e forças policiais.

Desiludido, apenas eu? Não, vejamos o que nos diz um  jornalista conservador, Charles Krauthammer, que condena veementemente a estratégia de combate ao terrorismo, adoptada por Obama. Para este jornalista conservador o  uso massivo dos drones está em total contradição com a imagem da rectidão moral que o Presidente tem mostrado pensa ele. E questiona:

“No que é que se tornou este artesão da paz, premiado com o Nobel, este presidente favorável ao desarmamento nuclear, este homem que se desculpou aos olhos do mundo para as acções vergonhosas dos Estados Unidos que infligiam interrogatórios sobre tortura essas mesmas pessoas que ele agora não hesita em mandar matar? O homem de paz foi substituído – exactamente a tempo para a campanha eleitoral de 2012 – por uma espécie de Deus vingativo, sempre pronto a desencadear a sua ira.

Que senso estranho da ética. Como se pode andar orgulhosos por afirmar que os Estados Unidos como país escolheu a rectidão moral ao levar e manter no poder um presidente profundamente ofendido com o belicismo e a barbárie de um George W. Bush e ao mesmo tempo revelar publicamente que a sua actividade favorita é a de ser simultaneamente juiz e carrasco dos combatentes que nunca viu e em que pouco importa se pessoas inocentes estão nas suas proximidades e podem ser igualmente vítimas. »

Bem claro este excerto. Há pois muito boa gente desiludida com Obama, à direita e à esquerda, e de forma honesta  estão colocadas  as razões dessa desilusão. Obama saiu-me pois, do ponto de vista da política externa, tão mau como os Presidentes Bush, nada mais nada menos que isso, ou talvez seja mesmo pior que estes dois porque dele seria de esperar muito, porque nele depositámos confiantemente muitos dos nossos sonhos, nós e o mundo igualmente. Mas a queda de um mito é sempre algo que dói muito.

Daí que se perceba que a direita subiu de poder com o primeiro mandato devido às políticas de compromisso que Obama preferiu, daí que se perceba que muita gente à esquerda desiludida tenha largado a Administração de Obama até ao no final do primeiro mandato, daí que  se perceba o impasse  a que ele próprio chegou, mesmo na condução da política interna que é  de sentido democrático, disso não tenhamos dúvidas.

Daí se compreenda o lancinante apelo de Michelle Obama que passo a transcrever e que aparece a circular nos Estados Unidos, apelo que deixo em inglês:

“M. X — I need your help.

Barack is working hard on the issues that matter to so many of us, but there’s only so much he can do on his own. The truth is, in order for him to keep moving this country forward and finish what we started, he needs leaders in Congress who are willing to work alongside him.

And for that, he needs you.

M.X– Will you sign your name and commit to vote for Democrats who will fight for you?

Today, organizers all across the country are reaching out to voters to talk about the importance of this election. Together we want to reach 1 million new commitments to vote in 2014.

It’s a big goal, but I know we can get there if everyone does their part.

Click here to let me know that you’re committing to vote in 2014.

Just think about what we can accomplish together with a big Democratic victory.

We can promote equal pay for women. We can raise the minimum wage. We can pass immigration reform. We can ensure that women are free to make their own decisions about their bodies and their health care.

But in order for us to do all of this, we need to get organized, get mobilized, and get to work electing a Congress that will fight for us and our families.

Take the first step: Commit to Vote today.

Thanks for being a part of this.

Michelle

P.S. Elections across the country will be decided by just a handful of votes. So after you’ve committed to vote, sign up for opportunities to get involved in your community. It’s important that your friends and neighbors are registered and ready to vote too.”

(continua)

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