EDITORIAL: Israel escolheu o caminho da derrota

logo editorialApós 28 dias de ofensiva israelita, tinham morrido 1814 palestinianos, sendo 1312 civis – incluindo 408 crianças e 214 mulheres. Das crianças, 70% tinha menos de 12 anos. 64 militares e três civis, são as baixas registadas pelos israelitas. 520 000 palestinianos foram evacuados numa população de um milhão e 800 mil pessoas. Estes os números de uma operação militar que, dados os meios de que uns e outros dispõem,  configura uma acção criminosa, um cobarde ataque com armas sofisticadas contra gente desarmada. Genocídio, limpeza étnica… Holocausto.

Quando se diz que a única solução para o conflito israelo-palestiniano consiste em encontrar uma plataforma de entendimento que exclua a via armada, não se está a entoar um concerto de harpas celestiais, mas sim a enunciar a única maneira de solucionar um problema criado pela estúpida prepotência da política britânica e mantida pela não mais inteligente prepotência ianque.

De um lado, temos um povo que, sem mais nem menos, se viu expulso das suas terras – e não colhe alegar que não existia um Estado na Palestina – a propriedade das terras não oferecia dúvidas – ali tinham os paalestinianos as suas casas, os seus rebanhos, as suas explorações agrícolas… as suas vidas. Por outro lado, temos oito milhões de pessoas que, com base numa lenda sem o mínimo suporte documental, ocupa um território roubado. Pessoas que, muitas delas, a maioria, não têm qualquer responsabilidade no roubo de que os palestinianos foram vítimas – nasceram ali; ali é a sua terra.

Ou seja, foi criada uma situação em que dois povos, cada um invocando os seus argumentos e cada um estribado na sua legitimidade, reivindica a propriedade de um território. Israel escolheu a pior das vias – a da guerra. Sabem os responsáveis por esta opção que enveredaram por um caminho sem saída – Israel tem de vencer todas as batalhas, pois a primeira derrota será decisiva e ditará a sua extinção. Só um entendimeno entre palestinianos e israelitas que, pondo de parte direitos que, perante a realidade nada significam, permita que todos possam ter, naquela terra martirizada, existências normais.

1 Comment

  1. De fato é um absurdo o que estamos presenciando! Total abuso de poder! E o que é pior: o sentimento de impotência que nos assalta.
    Quem poderia assumir a atitude decente e humanitária não o faz!
    Resta a esperança de que a solução cabível venha do céu! Deus tenha piedade do sofrimento e injustiça que estão abatendo o povo palestino!

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