TERRITÓRIO, INTERCULTULTURALIDADE E BEM VIVER: AS LUTAS DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL por clara castilho

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Ocorreu já em Junho (Coimbra, dia 24), passou despercebido na altura, mas quero aqui deixar uma nota,devido à sua importância.

Foi o colóquio internacional “Território, Interculturalidade e Bem-Viver: as lutas dos povos indígenas no Brasil”, organizado pelo CES, através do Projecto Alice – Espelhos Estranhos, Lições Imprevistas – (www.alice.ces.uc.pt) com coordenação de Boaventura de Sousa Santos e Luciane Lucas dos Santos. Teve por objectivo reflectir sobre a situação dos povos indígenas relativamente à luta pela terra, à saúde indígena e outras questões candentes – tal como o avanço indiscriminado das fronteiras agrícola, energética e minerária no Brasil.

Dia 9 assinalou-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas de todo o mundo, para tal decidido nas Nações Unidas desde 1994. Procurei informação mas só a encontrei em inglês.interculturalidade

Nesse colóquio estiveram apresentes 9 lideranças indígenas de etnias diversas – Guajajara, Macuxi, Munduruku, Terena, Tukano, Taurepang e Yanomami além de uma liderança indígena Maya, da Guatemala que partilharam seus conhecimentos, desafios e lutas no âmbito da saúde, da economia, do território e das questões de gênero. Os organizadores consideram tratar-se de um momento histórico, em que uma grande delegação de lideranças dos povos indígenas brasileiros veio, pela primeira vez, a Portugal.

O projeto ALICE, Espelhos Estranhos, Lições imprevistas: Conduzindo a Europa a uma nova forma de partilhar experiências é herdeiro do projeto Reinvenção da Emancipação Social, coordenado por Boaventura de Sousa Santos entre 1999 e 2001. Esse projeto partiu da consciência do esgotamento da capacidade das ciências sociais para renovarem e inovarem. Apostando no caminho da reinvenção da emancipação social, ia já ao encontro do que hoje designamos por Epistemologias do Sul ao promover o conhecimento de saberes e práticas invisibilizados. Os estudos publicados centram-se no tema da “globalização contra-hegemónica” e incidem sobre iniciativas, organizações e movimentos em seis países – África do Sul, Brasil, Colômbia, Índia, Moçambique e Portugal – e em seis domínios sociais – democracia participativa; sistemas alternativos de produção; multiculturalismo emancipatório, justiças e cidadanias;  biodiversidade e conhecimentos rivais e direitos de propriedade intelectual; novo internacionalismo operário. O trabalho envolveu um conjunto de 69 investigadores e resultou num conjunto de publicações em várias línguas.

(consultar:http://alice.ces.uc.pt/en/index.php/about/where-does-alice-come-from/?lang=pt#sthash.3iZpI3aa.dpuf)

ALICE assenta na aposta de que a transformação social, política e institucional pode beneficiar amplamente das inovações que têm lugar em países e regiões do Sul Global. Trata-se, no entanto, de uma aposta exigente que pressupõe a disponibilidade para o conhecimento recíproco, a compreensão intercultural, a busca de convergências políticas e ideológicas, respeitando a identidade e celebrando a diversidade.

A execução deste projeto teve início em Julho de 2011 e tem uma duração de cinco anos, contando com o enquadramento institucional do Centro de Estudos Sociais (CES) – Laboratório Associado da Universidade de Coimbra, Portugal (ver: http://alice.ces.uc.pt/en/index.php/about/?lang=pt#sthash.uMFw8TYZ.dpuf)

 

 

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