A ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE LUSITANISTAS – por Roberto Vecchi*


*O argonauta Roberto Vecchi é professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira e de História da cultura portuguesa da Universidade de Bolonha. É director doRoberto Vecchi - II Centro de Estudos Pós-Coloniais (CLOPEE) desta Universidade e coordenador da Cátedra Eduardo Lourenço. Em Portugal, é investigador associado do Centro de Estudos Sociais  da Universidade de Coimbra e do Laboratório de Estudos Literários Avançados da Universidade Nova de Lisboa. No Brasil, é pesquisador CNPq. É Honorary Professor (2012-2015) of Lusophone Studies at the School of Cultures, Languages and Area Studies na Universidade de Nottingham. É o actual presidente (2014-2017) da AIL, a Associação Internacional de Lusitanistas. 
Entre as suas publicações em Portugal, lembram-se Excepção atlântica. Pensar a literatura da guerra colonial  (Porto, 2010), a organização, com Margarida Calafate Ribeiro, da Antologia da memória poética da guerra colonial (Porto, 2011) e, sempre com Margarida Calafate Ribeiro, a organização do volume de textos sobre o colonialismo de Eduardo Lourenço, Do colonialismo como nosso impensado (Lisboa, 2014). Neste artigo, expressamente escrito para o nosso blogue, apresenta-nos a AIL, para cuja presidência foi eleito no recente Congresso realizado na cidade do Mindelo, em Cabo Verde. 

A AIL, a Associação Internacional de Lusitanistas, é um extraordinário repositório de competências e saberes sobre as culturas de língua portuguesa. É disseminada por todos os continentes e reúne alguns dos melhores estudiosos – acadêmicos e não- que aprofundam e divulgam os aspectos dominantes destas culturas. É uma plataforma relevante que pode desempenhar uma função de apoio global à promoção das culturas que se expressam em português. Valorizando esta natureza, a AIL inaugurou, em parceria com a Fundação Gulbenkian, no mês passado, a plataforma9 (plataforma9.com) que proporciona não só aos sócios mas a todos os interessados  uma base de dados considerável para quem trabalha nestas áreas de estudo, incluindo as informações sobre as iniciativas científicas e culturais dominantes e as melhores oportunidades profissionais para os jovens estudiosos. Nove, como os Países que se expressam pela língua portuguesa.

A dimensão de plataforma é interessante porque manifesta materialmente como a AIL pretende atuar. Não só como uma associação de estudiosos, mas como um aglomerado científico capaz de criar e promover projetos próprios valorizando assim ainda mais o seu amplo potencial. A gestão do próximo triênio vai procurar aprofundar e fortalecer este aspecto inaugurado pela presidência anterior: fazer da AIL uma comunidade científica visível e ativa, articulada como uma rede aberta e participativa para novos grupos e novos projetos.

Por estas razões, a AIL criou uma nova governância baseada sobre uma presidência plural. Para garantir a representação e a abertura mais amplas, foi introduzido no estatuto da associação um novo órgão, o conselho assessor, constituído por 6 membros de áreas geográficas diferentes e coordenado por um presidente, que atualmente é Ettore Finazzi Agrò. O órgão é vital para alimentar através de ideias e reflexões o trabalho da nova presidência. Os desafios são enormes: criar e fortalecer novas redes de investigação em particular em áreas novas como por exemplo África (o XI Congresso, no Mindelo, em  Cabo Verde, deste ponto de vista abriu um novo espaço de diálogo com os estudiosos africanos) ou Ásia onde irá ocorrer, em Macau, em 2017, o próximo congresso da associação. A AIL, em suma, pretende favorecer o acesso máximo e mais qualificado às culturas de língua portuguesa, tornando-se efetivamente o espaço plural, aberto, poroso que possa abrigar, ainda que só parcialmente mas de modo significativo, a vitalidade enorme que carateriza as culturas que se manifestam no mundo pela diversidade da língua portuguesa. É o que tentaremos fazer no próximo triênio de atividades: estão todos convidados para participar desta construção.

 

 

 

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