EDITORIAL – HOUVE RACISMO OU NÃO? HOUVE ABUSO DE PODER OU NÃO?

Tempo ainda de férias. Jovens sem grandes actividades programadas. “Amigos” logo editorialdo facebook, que se não conheciam, combinaram um encontro para conviverem e se conhecerem. Estranho. Para eles não ? Novo, decerto. E foi assim que o dia 21 foi notícia por “tumultos” no Centro Comercial Vasco da Gama.

Porque se encontraram lá tantos jovens negros? Os jovens efectuaram roubos? Fizeram distúrbios no local? A PSP informou que quatro jovens foram detidos e vários identificados por se encontrarem “em desordem entre si” no Parque das Nações, depois de afirmar que dezenas “invadiram os corredores do centro comercial e começaram a correr desenfreadamente, entrando em algumas lojas”, resultando também ferimentos em cinco polícias.

Por outro lado, a direcção do Vasco da Gama diz que as imagens de videovigilância não mostram jovens a invadir o espaço. E que não houve nem vandalismo nem furtos. O director considerou que o movimento tinha sido semelhante a outros dias em que há eventos no Parque das Nações. No entanto, cerca de 20 jovens envolveram-se à bulha. A PSP começou a mandar sair pessoas e a impedir a entrada de outras – em especial de cor negra.

O comissário garantiu que o objectivo foi só o de estabelecer a ordem, reconhecendo que o encontro não terá tido motivações políticas. No entanto, quatro jovens foram apresentados a tribunal.

O “evento” desse dia era o referido, sem nenhum objectivo de manifestação política ou social. Alguns dos jovens têm milhares de seguidores e centenas de likes e de partilhas dos seus posts. Neste momento há mensagens de protesto contra o racismo. Um dos jovens que foi ao último encontro colocou um vídeo no Facebook acusando a polícia de racismo.

A associação SOS Racismo condenou a atuação da PSP, considerando que “o caos só foi possível graças à intervenção da PSP”, que, face à “concentração de jovens negros no local”, originou “uma ação tão musculada da polícia”, sendo a única diferença deste caso a cor da pele dos jovens que ali se encontravam”.

Sabemos que o racismo não desapareceu. Nem em Portugal, nem noutras partes do mundo. Sabemos que é uma das muitas formas de diferenciação em que alguém se sente superior ao outro e sobre ele exerce o poder. Há sempre alguém que precisa de sentir esse poder para se sentir bem. Poder que também pode ser vindo de quem tem posses económicas contra os que as não têm. Situação que estamos vivendo, hoje, de forma dramática para muitos.

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