UTOPIA – poema de Adão Cruz

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Sempre te amei utopia pequeno sol deste universo sonhado insondável magia

Como te amo ainda fímbria de meus restos teofânica nuvem deste cabalístico mundo

Os mesmos dedos o mesmo perfil o mesmo cabelo o mesmo cigarro o mesmo voo de abutre sobre a minha cabeça tonta o mesmo voo de milhafre de corvo de cisne de gaivota de pomba inocente

Abetarda que sou presa à terra sem asas de pássaro

Na planura dos mil campos e das mil fontes corro atrás do dia e da noite como louco animal de pelo macio sem medo dos espinhos de acanto

Como te amo nos escombros dos meus dias

A miragem do teu rasto combina o ar e a luz que fazem respirar a memória

Ninguém  viveu e amou como eu peregrino de mim mesmo só em ti me detenho

Por te amar só a ti eu não via eras o céu e o mar eras a noite e o dia

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