EDITORIAL – No aniversário da independência do Uruguai

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Encostado ao planeta Brasil, aninhado entre o colosso e a grande Argentina, um dos mais pequenos países da América do Sul, possui indicadores de desenvolvimento e de qualidade de vida que o situam nos primeiros lugares do ranking continental – situa-se à frente da Argentina, do Brasil e mesmo de alguns estados europeus. Considerado o menos corrupto país da América Latina e pioneiro na adopção de medidas que visam o respeito pelos direitos civis dos cidadãos, foi classificado em 2013, pela revista inglesa The Economist, como o País do ano. A Reader’s Digest classificou o Uruguai como o nono mais habitável do planeta e o primeiro das Américas.

Um presidente da República de uma coerência ímpar, mantendo nas suas altas funções o comportamento, a frugalidade, a modéstia, que o caracterizaram ao longo da sua vida, é mais uma nota positivamente dissonante no retrato de um país que, não sendo perfeito e sofrendo eventualmente de algumas das patologias que assolam a aldeia global, é um daqueles em que o regime de democracia constitucional menos contradições apresenta.

Qualidades que tornam o país invisível – sem escândalos, sem corrupção, relativamente bem organizado, que interesse tem um país assim? Um grande escritor argentino, Ernesto Sábato, referindo-se à Suíça, à sua organização social, à ausência de tensões, dizia que ao acertar na maçã e não uns centímetros abaixo, Guilherme Tell perdeu uma oportunidade única de provocar um drama no país. Sendo por vezes designado como a Suíça da América, o país torna-se invisível aos olhos do mundo – ao ponto de ás vezes parecer inexistente. Porém, como disse um notável uruguaio, o escritor e jornalista Eduardo Galeano “Nós, os uruguaios temos uma certa tendência para crer que nosso país existe, embora o mundo não o perceba”, […] “Os grandes meios de comunicação, aqueles que têm influência universal, nunca mencionam esta nação pequenina e perdida ao sul do mapa.”

O Uruguai é, depois do Brasil, o país latino-americano com maiores ligações históricas a Portugal.  E, no entanto, as relações entre os dois países não são tão estreitas quanto, na nossa opinião, deveriam ser. Hoje, 27 de Agosto, passa o 186º aniversário da independência – a modesta voz do nosso blogue ergue-se para saudar a República Oriental do Uruguai.

2 Comments

  1. Calorosas felicitações ao pequeno grande Uruguay!
    E ao sábio presidente Mujica, cujo humanismo ilumina o continente!
    Rachel Gutiérrez

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