AMANHÃ, 29 AGOSTO, QUATRO ESPECTÁCULOS DE “LISBOA NA RUA” por Clara Castilho

É uma organização da EGEAC, que se prolongará até 20 de Setembro, sempre com entrada gratuita e de que iremos dando notícias. Considerando que Lisboa na Rua é a resposta da cidade à cidade-porta, à cidade-ponte, balançando entre muitos continentes, onde civilizações, milénios e memórias convergem numa pele de muitas camadas, o espaço público torna-se o meio natural e privilegiado da comunhão e fruição culturais.

Amanhã poderão assistir, a quatro espectáculos.

 Jardim das Esculturas, Museu do Chiado, às 19:30: TROPA MACACA

Tropa Macaca são André Abel e Joana da Conceição, banda sediada em Lisboa a trabalhar no campo da composição contemporânea electrónica. Com cerca de sete anos de parceria criativa e actividade pública, editaram a sua música em selos fundamentais do undergroundeuropeu e norte-americano como a Qbico e a Silt-breeze, tendo o mais recente Ectoplasma sido lançado na nova-iorquina software de Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never). Até esse registo a música do duo pautou-se, de um ponto de vista estrutural, na execução de peças de longa-duração. sempre intrépidas, pareciam, a cada vez, procurar desbloquear um sem número de questões de ordem poética, e progredir ao longo do seu curso ritual no sentido de chegar a sítios inauditos, onde a revelação os aguardava.em actuações dos últimos tempos, contudo, temos vindo a assistir a novos desenvolvimentos na prática da banda. Temas de duração mais variável apresentam maior quantidade de ventos, que se desenrolam – em escrita e interpretação – de maneiras novas e inesperadas. Surgem espaços mais do que ilustrados, habitados, a meio destas construções, que reordenam noções convencionais de tempo, narrativa e sucessão de eventos. Como sempre, no caso da Tropa Macaca, torna-se muito complexo fazer referências a outros trabalhos artísticos passados, havendo mais semelhanças do ponto de vista tímbrico e textural (technohouse, os primórdios do catálogo da Warp, guitarras eléctricas ‘fusionistas’ dos anos 70 e 80) do que propriamente estruturas musicais familiares. Grande curiosidade para saber como se vão apresentar nesta sua primeira aparição, em algum tempo, num espaço ao ar livre, sendo que contam com actuações no currículo em eventos como o Serralves em festa ou o Boom Festival, deste duo que se sabe sempre integrar para se afirmar no espaço público.

 Largo do Teatro Nacional de São Carlos, às 21:30 – FADO 

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Cristina Nóbrega é natural de Lisboa. descobre o Fado aos 20 anos, quando se apaixona pela simplicidade e intensidade desta forma única de cantar. em 2008, o apelo da alma e do coração falam mais alto e começa o seu percurso artístico. Estreia-se na Noite Branca de Madrid e edita o seu primeiro álbum Palavras do Meu Fado. Conquista o Prémio Amália rodrigues em 2009 como artista revelação. Em 2011, edita o Cd Retratos, um álbum que é uma homenagem aos grandes poetas de língua portuguesa e conta com a participação especial do guitarrista Carlos Gonçalves que compõe Questão de Culpa para as palavras de Vasco Graça Moura. Tem cantado pelo mundo e foi das primeiras portuguesas a levar o Fado a Pequim. Acaba de editar o seu terceiro trabalho Um Fado Para Fred Astaire, com temas inéditos de Fado tradicional e Marchas de Lisboa, que inclui um dueto inédito com a cantora cubana Omara Portuondo que, pela primeira vez, canta um Fado. aguardado há muito tempo, este é o primeiro concerto para o público de Lisboa de Cristina Nóbrega, uma das fadistas mais singulares da actualidade.

 Jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, das 22:00 às 23:15

Screening/IN VIDEO MILAN

SANDRA LISCHI/UNFRAMED: THE INVIDEO COMPILATION FOR FUSO 68’

Dança, animação, música visual, imagens abstractas, e, ao mesmo tempo, nenhuma definição para este tipo de obras. Unframed (sem moldura). Brincadeira, sonho, surpresa, incomunicabilidade, coreografias extravagantes, enigma, encontros, uma visão curiosa sobre o mundo. Poesia. Um panorama de imagens diferentes, capazes de inventar formas não-padronizadas de descrever, revelando, aludindo, detonando reflexão. Interferências entre imagem e música, desenho e poesia, dança. Uma pequena selecção retratando alguns tipos de obras de não-ficção apresentadas recentemente pelo InVideo, International exhibition of Video art and Cinema Beyond –, organizado desde 1990 pelo A.I.A.C.E. em Milão. desde o início, o seu objectivo tem sido criar em Milão um arquivo permanente de arte de não-ficção de todo o mundo – videoarte, cinema e vídeo experimental e de pesquisa.

 No Cinema S. Jorge, às 19 h – Lisboa Verde 3D, Edgar Pêra

lisboa 3d edgar pera

Lisboa Verde 3D é um filme de investigação plástica e poética, que explora as potencialidades do formato tridimensional, utilizando uma linguagem pessoal como alternativa ao oneroso cinema-espectáculo 3D de Hollywood. O 3D é território de experimentação, forma alternativa de registo do real e uma zona do imaginário por explorar. Quando se filma em 3D, tudo o que se nos apresenta tem de ser tratado duma forma radicalmente diferente do habitual método de rodagem bidimensional. Lisboa Verde 3D é um foto-filme/instalação. Um filme em que o tempo se fixou. Momentos congelados por uma câmara 3D. Instantes captados em relevo. Em Lisboa Verde 3D recria-se o universo onírico do mundo verde em espaços simultaneamente bucólicos e urbanos. Os jardins, as hortas e os parques da cidade de Lisboa são ideais para o formato 3D pelas múltiplas perspectivas e níveis de profundidade que proporcionam. Com estas imagens criam-se novas formas de representar o mundo, dando ao espectador-cidadão uma oportunidade de olhar de outra maneira para a presença do (imprescindível) universo vegetal na sua cidade.

Edgar Pêra, Autor:

Biografia

Desde 1985 que Edgar Pêra filma compulsivamente a sua cidade. em 1991 assina A Cidade de Cassiano (Grand Prix Festival Films d’ Architecture de Bordeaux), realizado para a exposição de homenagem a Cassiano Branco no cinema Éden. Em 1994 filma Manual de Evasão LX94, uma encomenda de Lisboa Capital Europeia da Cultura 1994. da sua residência artística no bairro da Bica nasce A Janela (Maryalva Mix), estreado no Festival de Locarno 2001. em 2006 é o Herói Independente do IndieLisboa e é galardoado, em Paris, com o Prémio Pasolini pela carreira, conjuntamente com os cineastas Alejandro Jodorowsky e Fernando Arrabal. em 2011 estreia em Roterdão O Barão, uma adaptação premiada da obra homónima de Branquinho da Fonseca. desde esse ano que Pêra tem vindo a filmar sistematicamente no formato 3D. em 2013, assina Cinesapiens, um segmento de 3X3d (em co-autoria com Jean-Luc Godard e Peter Greenaway), um filme para Guimarães – Capital europeia da Cultura 2012, que encerrou a semana da Crítica do Festival de Cannes e já foi exibido em mais de 40 países. O foto-filme Lisboa Verde 3D é o ponto de partida de uma série de projectos sobre a cidade no formato tridimensional, como Lisbon Revisited, a última longa-metragem 3D de Edgar Pêra, também rodado nos espaços verdes lisboetas, com textos de Fernando Pessoa e com estreia mundial no Festival de Locarno 2014.

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